Quando o colesterol e os triglicerídeos no sangue são considerados elevados?
A hiperlipidemia, também conhecida como dislipidemia, é uma condição caracterizada por níveis anormalmente elevados de lipídios no sangue — principalmente colesterol total, colesterol LDL (“ruim”), tr
A hiperlipidemia, também conhecida como dislipidemia, é uma condição caracterizada por níveis anormalmente elevados de lipídios no sangue — principalmente colesterol total, colesterol LDL (“ruim”), triglicerídeos — ou por níveis inadequadamente baixos de colesterol HDL (“bom”). Não existe um único valor-limite universalmente aplicável para todos os indivíduos, pois o diagnóstico depende de uma avaliação integrada que considera fatores de risco cardiovascular, histórico clínico, idade, sexo e comorbidades.
Segundo diretrizes atualizadas da Sociedade Brasileira de Cardiologia (SBC) e do Consenso Brasileiro sobre Dislipidemias e Prevenção da Aterosclerose (2023), os valores de referência para adultos saudáveis são: colesterol total acima de 190 mg/dL; colesterol LDL acima de 115 mg/dL; triglicerídeos acima de 150 mg/dL; e colesterol HDL abaixo de 40 mg/dL em homens ou abaixo de 50 mg/dL em mulheres. No entanto, esses limiares são ajustados conforme o risco cardiovascular global: pacientes com diabetes, doença arterial coronariana prévia, AVC isquêmico ou síndrome metabólica exigem metas mais rigorosas — por exemplo, LDL < 70 mg/dL em alto risco e < 50 mg/dL em risco muito alto.
É fundamental destacar que a interpretação dos exames deve sempre ser feita por médico, preferencialmente cardiologista ou endocrinologista, após avaliação clínica completa. Fatores como jejum inadequado antes da coleta, uso de medicamentos (como corticoides ou antirretrovirais), doenças hepáticas ou renais, hipotireoidismo e síndrome das apneias obstrutivas do sono podem influenciar significativamente os resultados. Além disso, a hiperlipidemia frequentemente é assintomática, tornando o rastreamento laboratorial periódico essencial — especialmente a partir dos 40 anos ou mais cedo em presença de história familiar de doenças cardiovasculares precoces.
O manejo envolve intervenções não farmacológicas como dieta equilibrada (redução de gorduras saturadas e trans, aumento de fibras solúveis), atividade física regular, cessação do tabagismo e controle do peso, além de terapia medicamentosa quando indicado — principalmente estatinas, ezetimiba ou inibidores de PCSK9, conforme perfil individualizado de risco e resposta terapêutica.