O que fazer diante da neuralgia do nervo gengival?
Quando o paciente relata dor na gengiva que se estende ao longo de uma linha ou trajeto bem definido, é fundamental considerar com cautela o diagnóstico diferencial — pois essa queixa não corresponde
Quando o paciente relata dor na gengiva que se estende ao longo de uma linha ou trajeto bem definido, é fundamental considerar com cautela o diagnóstico diferencial — pois essa queixa não corresponde a uma entidade clínica reconhecida como “neuralgia da linha gengival”, termo que não existe na literatura odontológica ou neurológica internacional.
O desconforto descrito pode ter múltiplas origens: desde processos inflamatórios locais — como gengivite aguda, periodontite avançada ou abscesso periodontal — até alterações sistêmicas, como deficiências nutricionais (ex.: vitamina B12 ou ácido fólico), distúrbios autoimunes (ex.: lúpus eritematoso sistêmico ou síndrome de Sjögren) ou reações adversas a medicamentos (como inibidores da ECA ou quimioterápicos).
Também merecem atenção as causas neurológicas verdadeiras, como neuralgia do trigêmeo, que pode irradiar para áreas gengivais, ou neuropatias periféricas secundárias a diabetes mellitus ou infecções virais (ex.: herpes zóster). Em alguns casos, a dor referida pode originar-se de patologias dentárias profundas, como necrose pulpar assintomática com envolvimento periapical, ou mesmo de disfunções craniomandibulares com padrão de irradiação atípico.
O diagnóstico exige avaliação clínica minuciosa: exame periodontal completo com sondagem de bolsas, radiografias periapicais ou tomografia computadorizada de feixe cônico (TCFC), teste de vitalidade pulpar e, quando indicado, exames laboratoriais complementares. A abordagem terapêutica deve ser sempre direcionada à causa identificada — seja tratamento periodontal não cirúrgico, terapia endodôntica, ajuste medicamentoso ou encaminhamento interdisciplinar para neurologia ou medicina interna.
É essencial alertar os pacientes contra a automedicação ou a busca por soluções empíricas, pois a demora no diagnóstico correto pode levar à progressão de lesões irreversíveis, perda óssea alveolar ou comprometimento funcional duradouro.