O que fazer diante da dor no joelho em adultos de meia-idade e idosos
Dores no joelho em adultos mais velhos são uma queixa extremamente comum na prática clínica, frequentemente associadas ao desgaste progressivo da cartilagem articular — condição conhecida como osteoar
Dores no joelho em adultos mais velhos são uma queixa extremamente comum na prática clínica, frequentemente associadas ao desgaste progressivo da cartilagem articular — condição conhecida como osteoartrite. Com o avanço da idade, ocorrem alterações degenerativas nas estruturas articulares: a cartilagem perde sua elasticidade e espessura, os ligamentos tornam-se menos tensos, os músculos ao redor da articulação enfraquecem e a produção sinovial de líquido lubrificante diminui. Esses fatores combinados aumentam a fricção entre os ossos, gerando dor, rigidez matinal (geralmente com duração inferior a 30 minutos), crepitação articular e, em estágios avançados, deformidade e limitação funcional.
O diagnóstico deve ser baseado em avaliação clínica detalhada — incluindo história de início gradual da dor, piora com atividade física e alívio com repouso — complementada por exames de imagem. A radiografia simples do joelho em incidência anteroposterior e perfil é o primeiro método de imagem indicado, permitindo identificar estreitamento do espaço articular, esclerose subcondral, cistos ósseos e osteófitos. Em casos duvidosos ou quando há suspeita de lesões meniscais ou ligamentares associadas, a ressonância magnética pode ser solicitada para avaliação mais refinada dos tecidos moles.
O manejo deve ser sempre multimodal e individualizado. As intervenções não farmacológicas constituem a base do tratamento: perda de peso controlada em pacientes com sobrepeso ou obesidade (cada quilograma perdido reduz até quatro quilogramas de carga sobre o joelho durante a marcha), exercícios terapêuticos orientados por fisioterapeuta — especialmente fortalecimento do quadríceps e alongamento dos isquiotibiais — e uso racional de dispositivos de apoio, como palmilhas biomecânicas ou joelheiras com estabilização lateral. Analgésicos orais, como paracetamol, podem ser utilizados como primeira linha; anti-inflamatórios não esteroides (AINEs) devem ser prescritos com cautela, considerando riscos gastrointestinais e cardiovasculares, especialmente em idosos. Infiltrações intra-articulares de corticosteroide têm papel restrito, indicadas apenas em episódios agudos de inflamação sintomática, enquanto o ácido hialurônico apresenta evidência limitada e não é recomendado rotineiramente pelas principais diretrizes internacionais.
Cirurgia — particularmente a artroplastia total do joelho — é reservada para pacientes com dor incapacitante, falha de tratamento conservador prolongado e alterações radiográficas avançadas. Estudos demonstram alta taxa de sucesso a longo prazo, com melhora significativa na qualidade de vida e função articular. No entanto, a decisão cirúrgica deve envolver avaliação multidisciplinar, considerando comorbidades, expectativas realistas do paciente e risco-benefício individualizado.