O que as mulheres devem evitar de comer durante a menstruação
As mulheres frequentemente recebem orientações tradicionais sobre restrições alimentares durante a menstruação — como evitar alimentos frios, picantes ou muito açucarados. No entanto, da perspectiva d
As mulheres frequentemente recebem orientações tradicionais sobre restrições alimentares durante a menstruação — como evitar alimentos frios, picantes ou muito açucarados. No entanto, da perspectiva da medicina baseada em evidências, não há contraindicações absolutas para a maioria dos alimentos durante o período menstrual. O que realmente importa é a individualização: sintomas como cólicas intensas, fadiga, inchaço ou alterações de humor podem influenciar as necessidades nutricionais e a tolerância a certos alimentos.
Por exemplo, alimentos ricos em sódio — como embutidos, salgadinhos industrializados e molhos prontos — podem exacerbar a retenção hídrica e o desconforto abdominal, especialmente em mulheres com predisposição ao edema pré-menstrual. Da mesma forma, bebidas cafeinadas em excesso (café, chá preto, refrigerantes à base de cola) podem potencializar a ansiedade, a irritabilidade e até mesmo as contrações uterinas em algumas pacientes, devido ao efeito estimulante sobre o sistema nervoso simpático e à vasoconstrição periférica.
Já o consumo excessivo de álcool deve ser evitado não apenas por sua ação desidratante, mas também porque interfere na metabolização do estrogênio no fígado, podendo contribuir para desequilíbrios hormonais transitórios e piora dos sintomas como dor e fadiga. Alimentos muito gordurosos ou fritos, embora não proibidos, podem retardar o esvaziamento gástrico e agravar a sensação de peso e náusea em mulheres com síndrome das tensões pré-menstruais (TPM) ou dismenorreia primária.
O foco nutricional recomendado nessa fase é o equilíbrio: priorizar fontes de ferro biodisponível (como carnes vermelhas magras, fígado e leguminosas combinadas com vitamina C), magnésio (castanhas, espinafre, abacate) e ômega-3 (peixes gordurosos, linhaça), nutrientes associados à redução da inflamação e modulação da atividade prostaglandínica — principal mediadora das cólicas. Manter boa hidratação com água e chás suaves (como camomila ou erva-doce) também apoia a função gastrointestinal e renal, auxiliando na eliminação de metabólitos hormonais.
É fundamental ressaltar que restrições alimentares rígidas ou mitos populares — como “não comer gelado” ou “evitar frutas cítricas” — carecem de respaldo científico. Em vez de listas proibitivas, o acompanhamento com nutricionista ou ginecologista permite identificar padrões pessoais, investigar causas subjacentes (como endometriose ou anemia ferropriva) e construir estratégias nutricionais personalizadas e sustentáveis.