Por que a urina pode ficar verde?
A coloração esverdeada da urina é um achado clínico incomum, mas que pode ocorrer por diversas causas, desde fatores benignos e transitórios até condições médicas mais relevantes. Embora frequentement
A coloração esverdeada da urina é um achado clínico incomum, mas que pode ocorrer por diversas causas, desde fatores benignos e transitórios até condições médicas mais relevantes. Embora frequentemente associada à ingestão de corantes alimentares ou medicamentos, essa alteração também pode sinalizar distúrbios metabólicos, infecções urinárias específicas ou alterações hepáticas.
Entre as causas mais comuns estão os corantes presentes em alimentos — como espinafre, couve, alcachofra e certos doces industrializados — e medicamentos como a amitriptilina, a propofol, a cimetidina, os antibióticos do grupo das quinolonas (ex.: ciprofloxacino) e alguns anti-inflamatórios não esteroidais. Essas substâncias podem ser metabolizadas e excretadas na urina com pigmentos que conferem tonalidade esverdeada, geralmente sem implicações clínicas significativas.
No entanto, a coloração verde também pode estar relacionada a infecções urinárias causadas por bactérias produtoras de pigmentos, especialmente *Pseudomonas aeruginosa*. Essa bactéria sintetiza piroverdina, um sideróforo fluorescente que confere à urina uma coloração verde-azulada característica, muitas vezes acompanhada de odor fétido e sinais de infecção — como disúria, polaciúria e febre. Em pacientes imunossuprimidos ou com cateter vesical, esse quadro merece investigação imediata.
Outras causas menos frequentes incluem distúrbios genéticos do metabolismo, como a síndrome de Hartnup, em que há aumento da excreção urinária de indóis; ou alterações hepáticas graves com colestase prolongada, nas quais a acumulação de bilirrubina conjugada e seus derivados pode modificar a coloração urinária. Em raros casos, a presença de células inflamatórias abundantes (piúria intensa) ou hemoglobinúria associada a mioglobinúria também pode contribuir para tonalidades anormais, embora o verde puro seja atípico nesses cenários.
É fundamental diferenciar a coloração verde verdadeira da aparência esverdeada decorrente de iluminação inadequada, contaminação da amostra ou mistura com secreções vaginais ou fecais. Quando a alteração persiste após hidratação adequada e suspensão de possíveis agentes exógenos, recomenda-se avaliação urológica com exame de urina completo, urocultura e, se indicado, dosagem sérica de bilirrubina, enzimas hepáticas e testes metabólicos específicos.