Como identificar as causas da amenorreia
Identificar a causa exata da amenorreia — a ausência de menstruação por pelo menos três ciclos consecutivos em mulheres com idade fértil — é um passo fundamental para o diagnóstico e tratamento adequa
Identificar a causa exata da amenorreia — a ausência de menstruação por pelo menos três ciclos consecutivos em mulheres com idade fértil — é um passo fundamental para o diagnóstico e tratamento adequados. A abordagem deve ser sistemática, considerando desde fatores fisiológicos até condições patológicas complexas.
O primeiro passo é confirmar se a paciente está realmente em idade reprodutiva e se há gravidez. Um teste de beta-hCG sérico ou urinário é obrigatório, mesmo na presença de sinais sugestivos de outras causas, pois a gravidez permanece a causa mais comum de amenorreia secundária. Em seguida, avalia-se o histórico clínico detalhado: idade da menarca, padrão menstrual anterior, uso de contraceptivos (especialmente anticoncepcionais hormonais de longa duração ou injeções de progestagênio), perda ou ganho significativo de peso, prática intensa de exercícios físicos, estresse psicológico crônico, alterações no padrão de sono e sintomas associados como galactorreia, cefaleia, visão turva ou sinais de hiperandrogenismo (acne, hirsutismo, alopecia androgênica).
A avaliação laboratorial inicial inclui dosagens séricas de gonadotrofinas (FSH e LH), prolactina, estradiol, TSH e, quando indicado, testosterona total e DHEA-SO₄. Níveis elevados de FSH (> 25–30 UI/L) sugerem insuficiência ovariana primária; níveis baixos ou normais de FSH e LH com prolactina elevada apontam para hiperprolactinemia — podendo estar associada a adenoma pituitário, uso de medicamentos dopaminérgicos bloqueadores ou hipotireoidismo. Valores normais ou ligeiramente elevados de LH com relação LH/FSH > 2:1, associados a hiperandrogenismo, são típicos da síndrome das ovários policísticos (SOP).
Exames de imagem complementares podem ser necessários: ultrassonografia pélvica para avaliar volume ovariano, presença de folículos múltiplos e espessura endometrial; ressonância magnética da sela turca, caso haja suspeita de microadenoma ou macroadenoma prolactinêmico; e, em casos selecionados, histeroscopia ou biópsia endometrial para investigar causas uterinas, como síndrome de Asherman ou hipoplasia uterina.
É essencial lembrar que a amenorreia não é uma doença em si, mas um sinal clínico que reflete desequilíbrios no eixo hipotálamo-hipófise-ovário-útero. O diagnóstico diferencial abrange desde distúrbios funcionais — como amenorreia hipotalâmica relacionada ao estresse ou à restrição calórica — até condições genéticas raras, como a síndrome de Turner, ou lesões estruturais congênitas do trato genital. A abordagem individualizada, baseada em evidências e centrada na paciente, é a chave para restaurar a saúde reprodutiva e prevenir complicações a longo prazo, como osteoporose e doenças cardiovasculares.