Como tratar a secura vaginal
A secura vaginal é uma condição comum, especialmente em mulheres na perimenopausa e pós-menopausa, mas também pode ocorrer em outras fases da vida devido a fatores como estresse, amamentação, uso de c
A secura vaginal é uma condição comum, especialmente em mulheres na perimenopausa e pós-menopausa, mas também pode ocorrer em outras fases da vida devido a fatores como estresse, amamentação, uso de contraceptivos hormonais, quimioterapia ou doenças autoimunes como a síndrome de Sjögren. Os sintomas incluem sensação de ardor, coceira, dor durante a relação sexual (dispareunia), desconforto ao urinar e alterações na elasticidade e espessura dos tecidos genitais.
O tratamento deve ser individualizado, levando em conta a causa subjacente, a gravidade dos sintomas e as preferências da paciente. Para casos leves, recomenda-se o uso regular de lubrificantes à base de água ou silicone — preferencialmente sem perfume nem conservantes irritantes — e hidratantes vaginais à base de ácido hialurônico ou glicerina, aplicados duas a três vezes por semana. Esses produtos não substituem hormônios, mas ajudam a restaurar a barreira funcional da mucosa.
Quando há evidência clara de deficiência estrogênica — como atrofia vaginal confirmada ao exame ginecológico, com mucosa pálida, fina e com sangramento fácil — a terapia local com estrógenos tópicos é considerada primeira linha. Disponíveis em forma de cremes, comprimidos vaginais ou anéis liberadores contínuos, esses medicamentos oferecem alta eficácia com mínima absorção sistêmica, reduzindo significativamente os riscos associados à terapia hormonal sistêmica.
Em pacientes com contraindicações ao uso de estrógenos — como histórico de tromboembolismo venoso, câncer de mama hormônio-dependente ou endometrial — alternativas validadas incluem o prasterona (DHEA vaginal), a ospemifeno (um modulador seletivo dos receptores de estrógeno com ação agonista nos tecidos genitais) e, mais recentemente, o inadileno (um agonista tópico do receptor de estrógeno que atua localmente sem efeito sistêmico). Todos exigem prescrição médica e acompanhamento ginecológico periódico.
É fundamental descartar causas secundárias antes do início do tratamento: infecções vaginais (como candidíase ou vaginose bacteriana), dermatoses inflamatórias (como liquen escleroso ou psoríase genital) e reações alérgicas a produtos de higiene íntima. Exames como pH vaginal, teste de amina, microscopia a fresco e, quando indicado, biópsia de mucosa devem orientar o diagnóstico diferencial.
A abordagem integral também inclui orientações sobre estilo de vida: hidratação adequada, evitação de sabonetes agressivos e roupas íntimas de fibras sintéticas, prática regular de exercícios pélvicos e manejo do estresse. Mulheres com sintomas persistentes ou progressivos devem ser encaminhadas para avaliação especializada em medicina da mulher ou ginecologia funcional, onde estratégias personalizadas — incluindo terapias com laser de CO₂ fracionado ou radiofrequência — podem ser consideradas com base em evidências crescentes.