Como resolver a má absorção de nutrientes pelo corpo
Quando o corpo não consegue absorver adequadamente os nutrientes ingeridos — uma condição conhecida como má absorção — os efeitos podem ser amplos e graves, incluindo perda de peso inexplicável, diarr
Quando o corpo não consegue absorver adequadamente os nutrientes ingeridos — uma condição conhecida como má absorção — os efeitos podem ser amplos e graves, incluindo perda de peso inexplicável, diarreia crônica, fadiga intensa, anemias (como a ferropriva ou por deficiência de vitamina B12), osteoporose e alterações neurológicas. A má absorção não é uma doença em si, mas um sinal clínico que aponta para disfunções subjacentes no trato gastrointestinal, especialmente no intestino delgado, onde ocorre a maior parte da digestão e absorção nutricional.
As causas mais frequentes incluem doenças autoimunes, como a doença celíaca — desencadeada pela ingestão de glúten e caracterizada por danos à mucosa intestinal —, e a síndrome das alergias alimentares não IgE-mediadas, como a enteropatia induzida por proteína do leite. Também são comuns infecções intestinais persistentes (ex.: giardíase), distúrbios pancreáticos (como a insuficiência pancreática exócrina, que reduz a liberação de enzimas digestivas), doenças inflamatórias intestinais (doença de Crohn, colite ulcerativa) e condições pós-cirúrgicas, como ressecções extensas do intestino delgado ou cirurgias bariátricas mal adaptadas.
O diagnóstico exige uma abordagem sistemática: início com exames laboratoriais (hemograma completo, níveis séricos de ferro, ferritina, vitamina D, B12, ácido fólico, cálcio, magnésio e testes de função hepática), seguidos por exames específicos — como dosagem de anticorpos anti-transglutaminase tissular para doença celíaca, teste de tolerância à gordura (exame de fezes para gordura fecal quantitativa), avaliação da elastase fecal para função pancreática e, quando indicado, endoscopia digestiva alta com biópsia duodenal. Em casos complexos, pode ser necessário estudo funcional intestinal ou imagem por ressonância magnética com contraste específico para avaliar a motilidade e estrutura intestinal.
O tratamento é sempre direcionado à causa subjacente. Na doença celíaca, a exclusão rigorosa e vitalícia do glúten é essencial. Em insuficiência pancreática, suplementação com enzimas pancreáticas de liberação entérica, associada a ajustes dietéticos (como redução moderada de gorduras e fracionamento das refeições), é fundamental. Infecções parasitárias exigem terapia antiparasitária específica. Pacientes com doenças inflamatórias intestinais beneficiam-se de imunomoduladores ou biológicos, além de suporte nutricional individualizado. Em todos os casos, a suplementação nutricional — oral ou, se necessário, parenteral — deve ser guiada por avaliação nutricional detalhada e monitoramento laboratorial contínuo.
É crucial enfatizar que a automedicação ou restrições alimentares não supervisionadas podem agravar a desnutrição e mascarar o diagnóstico correto. Qualquer sintoma persistente sugestivo de má absorção exige avaliação especializada por gastroenterologista, com acompanhamento multidisciplinar envolvendo nutricionista clínico e, quando indicado, hematologista ou endocrinologista.