Como tratar a isquemia miocárdica aguda
A isquemia miocárdica aguda é uma condição clínica grave caracterizada pela redução súbita do fluxo sanguíneo coronariano, levando à inadequação na oferta de oxigênio ao músculo cardíaco. O tratamento
A isquemia miocárdica aguda é uma condição clínica grave caracterizada pela redução súbita do fluxo sanguíneo coronariano, levando à inadequação na oferta de oxigênio ao músculo cardíaco. O tratamento deve ser iniciado imediatamente, com foco em aliviar a dor torácica, restaurar a perfusão miocárdica, prevenir a progressão para infarto do miocárdio e reduzir a mortalidade.
O manejo inicial inclui repouso absoluto, administração sublingual de nitrato de glicerila (se não contraindicado), oxigenoterapia suplementar em pacientes com hipoxemia ou insuficiência cardíaca descompensada, e monitorização contínua de ritmo cardíaco, pressão arterial e saturação periférica de oxigênio. A aspirina (160–325 mg, mastigável) deve ser administrada sem demora, salvo contraindicação absoluta, pois inibe a agregação plaquetária e reduz o risco de trombose intracoronariana.
Em pacientes com suspeita de síndrome coronariana aguda sem supradesnível do segmento ST (SCA sem STEMI), a terapia antitrombótica é essencial: heparina não fracionada ou enoxaparina, associadas a inibidores da glicoproteína IIb/IIIa ou a ticagrelor/prasugrel, conforme perfil de risco e disponibilidade. Para aqueles com STEMI confirmado, a revascularização primária percutânea (RPP) é o padrão-ouro, devendo ser realizada dentro de 90 minutos após o primeiro contato médico — sempre que viável. Caso a RPP não esteja disponível em tempo hábil, a fibrinólise intravenosa deve ser considerada nas primeiras três horas do início dos sintomas.
O controle rigoroso dos fatores de risco cardiovascular é parte integrante do tratamento: bloqueadores beta (ex.: metoprolol), inibidores da enzima conversora de angiotensina (IECAs) ou antagonistas do receptor da angiotensina II (BRA), estatinas de alta potência (ex.: atorvastatina 80 mg/dia) e, quando indicado, antiplaquetários de dupla via por tempo determinado. A avaliação multidisciplinar subsequente — incluindo testes funcionais, angiografia coronariana e orientação sobre estilo de vida — é fundamental para prevenção secundária e prognóstico favorável.