Como é feita a estadiamento dos tumores do estroma gonadal ovariano?
Os tumores de cordão sexual e estroma ovariano constituem um grupo heterogêneo de neoplasias raras, originadas das células que dão suporte funcional e estrutural ao ovário — como as células da granulo
Os tumores de cordão sexual e estroma ovariano constituem um grupo heterogêneo de neoplasias raras, originadas das células que dão suporte funcional e estrutural ao ovário — como as células da granulosa, tecais, de Sertoli e de Leydig. A classificação e o estadiamento desses tumores seguem rigorosamente o sistema da Federação Internacional de Ginecologia e Obstetrícia (FIGO), atualizado em 2018, que se baseia na extensão anatômica da doença no momento do diagnóstico cirúrgico.
O estadiamento é determinado exclusivamente por achados intraoperatórios e exames histopatológicos, nunca por imagens pré-operatórias ou marcadores tumorais isolados. O estágio I corresponde à doença confinada a um ou ambos os ovários, sem ruptura capsular espontânea, sem implantes peritoneais e sem envolvimento linfonodal. Quando há ruptura cirúrgica do cisto ou do tumor, mas sem evidência de disseminação macroscópica, mantém-se o estágio I, embora seja registrado como “IA com ruptura cirúrgica” para fins prognósticos e terapêuticos.
O estágio II indica disseminação pélvica: além dos ovários, há envolvimento de órgãos adjacentes como útero, trompas de Falópio, bexiga ou reto, ou presença de implantes peritoneais pélvicos. Já o estágio III caracteriza-se pela disseminação além da pelve — seja por implantes peritoneais abdominais (incluindo o mesentério), seja por metástases linfonodais pélvicas ou para-aórticas, mesmo na ausência de doença macroscopicamente visível nos órgãos parenquimatosos. Importante destacar que, nesse estágio, os implantes devem ter menos de 2 cm; caso ultrapassem essa dimensão, classifica-se como estágio IV.
O estágio IV representa doença avançada, com metástases à distância — como pulmão, fígado (envolvimento parenquimatoso, não apenas superficial), ossos ou sistema nervoso central — ou implantes peritoneais maiores que 2 cm. Em todos os estágios, a avaliação linfonodal deve ser sistemática durante a cirurgia de estadiamento, incluindo dissecção ou mapeamento ganglionar pélvico e para-aórtico, pois o comprometimento linfático impacta diretamente o prognóstico e orienta a necessidade de quimioterapia adjuvante.
É fundamental ressaltar que, diferentemente de outros carcinomas ovarianos, muitos tumores de cordão sexual e estroma apresentam comportamento biológico indolente, especialmente os tumores de células da granulosa. Por isso, o estadiamento preciso não só guia o tratamento, mas também define estratégias de seguimento individualizadas — com monitorização clínica, dosagem de inibina B, antimülleriana (AMH) ou testosterona, conforme o subtipo histológico e o perfil hormonal do tumor.