A vitamina C pode curar aftas?
A vitamina C desempenha um papel importante na saúde bucal, mas não há evidências científicas robustas que comprovem sua eficácia no tratamento de aftas — úlceras recorrentes e superficiais da mucosa
A vitamina C desempenha um papel importante na saúde bucal, mas não há evidências científicas robustas que comprovem sua eficácia no tratamento de aftas — úlceras recorrentes e superficiais da mucosa oral. Embora a deficiência grave de vitamina C (escorbuto) possa causar alterações gengivais, sangramento e feridas orais, as aftas comuns em adultos saudáveis raramente estão associadas à carência desse nutriente.
Estudos clínicos controlados não demonstraram benefício significativo do uso suplementar de vitamina C na redução da frequência, duração ou gravidade das aftas. Na verdade, doses elevadas dessa vitamina podem até irritar a mucosa oral devido ao seu caráter ácido, potencializando o desconforto em lesões já existentes.
O tratamento atualmente recomendado para aftas foca no alívio sintomático e na promoção da cicatrização: uso tópico de corticosteroides de baixa potência (como triancinolona em pasta), anestésicos locais (ex.: benzocaína), ou agentes protetores (como carboximetilcelulose). Em casos recorrentes ou graves, investiga-se causas subjacentes — como deficiências nutricionais (ferro, vitamina B12, ácido fólico), doenças autoimunes (ex.: síndrome de Behçet), distúrbios gastrointestinais (doença celíaca, doença de Crohn) ou fatores imunológicos.
Embora uma alimentação equilibrada rica em frutas cítricas, vegetais folhosos e pimentões contribua para a integridade da mucosa oral, o uso isolado de suplementos de vitamina C não é indicado como terapia específica para aftas. Pacientes com recorrência frequente devem ser avaliados por profissional especializado — odontólogo ou médico — para diagnóstico diferencial e abordagem personalizada.