Perna em forma de O na idade adulta: é possível corrigir a deformidade e melhorar a postura ao andar?
O chamado “joelhos em varo”, popularmente conhecido como pernas em “O”, é uma condição ortopédica caracterizada por um alinhamento anormal dos membros inferiores, na qual os joelhos se afastam um do o
O chamado “joelhos em varo”, popularmente conhecido como pernas em “O”, é uma condição ortopédica caracterizada por um alinhamento anormal dos membros inferiores, na qual os joelhos se afastam um do outro ao se manter os tornozelos unidos. Embora seja comum e frequentemente fisiológico na primeira infância — desaparecendo espontaneamente até os 7–8 anos — sua persistência na vida adulta exige avaliação cuidadosa, pois pode estar associada a alterações estruturais, desgaste articular precoce ou sobrecarga biomecânica.
Em adultos, a correção definitiva da deformidade em varo depende fundamentalmente da causa subjacente. Quando o quadro tem origem em alterações ósseas consolidadas — como desvios no fêmur ou na tíbia, sequelas de fraturas mal consolidadas, osteoartrite avançada ou distúrbios metabólicos (ex.: raquitismo não tratado na infância) — intervenções não cirúrgicas, como fisioterapia, órteses ou mudanças na postura, têm impacto limitado sobre a anatomia óssea. Nesses casos, apenas procedimentos cirúrgicos, como a osteotomia corretiva, são capazes de realinhar efetivamente o eixo mecânico do membro inferior.
No entanto, muitos adultos apresentam um padrão funcional de “pernas em O” relacionado à fraqueza muscular, desequilíbrio miofascial ou padrões compensatórios de marcha — por exemplo, hipermobilidade ligamentar, pronatação excessiva do retropé ou ativação inadequada do glúteo médio. Nestas situações, programas individualizados de reeducação postural global (RPG), terapia manual especializada e treinamento proprioceptivo podem promover melhorias significativas na estabilidade articular, na distribuição de cargas e na qualidade da marcha, mesmo sem modificar a estrutura óssea.
É essencial ressaltar que tentativas empíricas de “corrigir” a postura durante a marcha — como forçar a rotação interna dos pés ou aproximar excessivamente os joelhos — podem gerar sobrecarga nos compartimentos medial do joelho, no quadril ou na coluna lombar, aumentando o risco de lesões por sobrecarga. A abordagem adequada deve sempre partir de uma avaliação clínica detalhada, incluindo exame físico ortopédico, análise da marcha e, quando indicado, exames de imagem (radiografias em carga, tomografia computadorizada ou ressonância magnética) para diferenciar causas estruturais de causas funcionais.
Em resumo: embora a anatomia óssea consolidada em adultos não possa ser modificada sem cirurgia, a função, a biomecânica e a qualidade de vida podem ser substancialmente otimizadas com intervenções conservadoras bem orientadas. O diagnóstico preciso e o plano terapêutico personalizado são, portanto, os pilares fundamentais para qualquer estratégia de manejo.