As mulheres devem ficar atentas à presença súbita de sangue na urina.
Quando uma mulher apresenta hematúria súbita — ou seja, presença visível de sangue na urina —, é fundamental buscar avaliação médica imediata. Esse sintoma pode ser um sinal de diversas condições, desde infecções urinárias benignas até doenças mais graves, como tumores do trato urinário (bexiga, rins ou ureteres), cálculos renais, glomerulonefrites ou alterações vasculares renais. Embora a causa mais comum em mulheres jovens seja a cistite aguda, não se deve descartar outras etiologias, especialmente se houver fatores de risco como tabagismo, exposição ocupacional a substâncias químicas (ex.: anilinas), história familiar de câncer urológico, idade avançada ou hematúria assintomática persistente.
A avaliação inicial deve incluir anamnese detalhada (com ênfase em duração, intensidade, associação a dor lombar ou suprapúbica, disúria, febre, perda de peso ou alterações no padrão miccional), exame físico e exames complementares essenciais: urina tipo I com pesquisa de hemácias, leucócitos e cilindros; urocultura; e ultrassonografia renal e vesical. Em casos suspeitos — particularmente em mulheres acima de 40 anos, com hematúria recorrente ou sem causa aparente — está indicada a cistoscopia, exame endoscópico que permite visualizar diretamente a mucosa da bexiga e da uretra, além de possibilitar biópsia se necessário.
É importante ressaltar que a hematúria não deve ser ignorada sob o pretexto de “ser só uma infecção” ou “desaparecer sozinha”. Mesmo quando transitória, ela merece investigação adequada, pois pode representar o único sinal precoce de neoplasias uroteliais, que frequentemente não causam sintomas até estágios avançados. O diagnóstico precoce é decisivo para o prognóstico favorável e para a escolha de tratamentos menos invasivos.