Por que o estômago faz barulho constante e há flatulência frequente?
O ruído intestinal conhecido popularmente como “barulho de barriga” (borborigmos) acompanhado de flatulência frequente pode ter diversas causas, muitas delas benignas e relacionadas à fisiologia normal do trato gastrointestinal. Os borborigmos resultam da movimentação de gases e líquidos através do intestino, impulsionados pelas contrações peristálticas — um processo essencial para a digestão e o trânsito intestinal. A flatulência, por sua vez, é a eliminação natural de gases produzidos pela fermentação bacteriana no cólon, principalmente a partir de carboidratos não digeridos (como fibras solúveis, lactose, frutose ou polióis).
Entre as causas mais comuns estão: ingestão excessiva de alimentos ricos em fibras ou fermentáveis (ex.: feijão, couve-flor, cebola, maçã, leite integral em pessoas com intolerância à lactose); ingestão acelerada de alimentos ou bebidas gasosas, levando à aerofagia; estresse ou ansiedade, que podem alterar a motilidade intestinal e a sensibilidade visceral; e síndrome do intestino irritável (SII), condição funcional caracterizada por dor abdominal recorrente associada a alterações no hábito intestinal (diarreia, constipação ou alternância), além de distensão abdominal e aumento da flatulência.
Em alguns casos, esses sintomas podem sinalizar condições clínicas que merecem avaliação médica, como má absorção de carboidratos (ex.: intolerância à lactose ou síndrome da má absorção de frutose), doença celíaca, infecções intestinais recentes (pós-infecciosas), ou, mais raramente, doenças inflamatórias intestinais (como a doença de Crohn ou retocolite ulcerativa). É importante procurar orientação médica se os sintomas forem persistentes, intensos, associados a perda de peso inexplicada, sangramento retal, febre, vômitos recorrentes ou alterações significativas no padrão intestinal.
A abordagem inicial inclui anamnese detalhada, exame físico e, eventualmente, exames complementares (como testes respiratórios para intolerâncias, sorologias para doença celíaca ou exames de imagem, conforme indicado). Recomenda-se manter um diário alimentar para identificar possíveis gatilhos, evitar mastigação inadequada e ingestão excessiva de adoçantes artificiais (ex.: sorbitol, xilitol), além de adotar estratégias de manejo do estresse. Em muitos casos, ajustes dietéticos personalizados — como uma dieta de exclusão temporária seguida de reintrodução controlada (ex.: dieta low-FODMAP, sob orientação nutricional especializada) — mostram-se eficazes no controle dos sintomas.