O que fazer em caso de outros tipos de HPV de alto risco?
Quando se identifica uma infecção pelo papilomavírus humano (HPV) de alto risco — como os tipos 16, 18, 31, 33, 45, 52 ou 58 — o foco principal não é o tratamento do vírus em si (pois não há antivirais específicos para HPV), mas sim a vigilância e prevenção das lesões pré-cancerosas ou neoplásicas que ele pode desencadear, especialmente no colo do útero, vagina, vulva, ânus, orofaringe e pênis.
O manejo depende fundamentalmente do local da infecção, dos achados citopatológicos (como exame de Papanicolaou) e/ou histopatológicos (biópsia), além do estado imunológico da pessoa. Em mulheres com HPV de alto risco detectado em testes moleculares (ex.: teste de genotipagem ou teste de carga viral), recomenda-se a realização de colposcopia com biópsia dirigida caso haja alterações citológicas suspeitas (ex.: ASC-US, LSIL, HSIL) ou mesmo em casos de citologia normal, conforme diretrizes atualizadas (ex.: rastreamento primário por HPV em mulheres ≥30 anos). Lesões intraepiteliais de baixo grau (LSIL/CIN 1) frequentemente regredem espontaneamente e são acompanhadas com monitoramento citológico e/ou colposcópico periódico. Já lesões de alto grau (HSIL/CIN 2–3) exigem tratamento excisional (ex.: conização por laço elétrico – LEEP) ou destrutivo (ex.: crioterapia, laser), sempre com avaliação anatomopatológica posterior.
Em homens e pessoas que fazem sexo com homens (HSH), o rastreamento sistemático para HPV anal ou peniano ainda não é rotineiro na maioria dos países, mas indivíduos imunossuprimidos (ex.: vivendo com HIV) devem ser avaliados anualmente com anuscopia alta resolução (HRA) se houver história de infecção por HPV de alto risco ou lesões visíveis. Em todos os casos, a vacinação contra HPV (mesmo após infecção prévia) é fortemente recomendada, pois protege contra outros tipos oncogênicos não yet adquiridos e pode reduzir a recorrência de lesões.
Além disso, medidas complementares são essenciais: cessação do tabagismo (fator de risco independente para progressão de lesões), uso consistente de preservativo (reduz transmissão e reinfecção), controle rigoroso de doenças imunossupressoras (ex.: HIV com carga viral indetectável) e acompanhamento contínuo com profissional especializado em saúde sexual e reprodutiva ou em oncologia ginecológica/dermatológica, conforme o sítio envolvido.