O que fazer no estágio avançado da doença de Parkinson?
Na fase avançada da doença de Parkinson, os sintomas motores — como bradicinesia, rigidez, tremor em repouso e instabilidade postural — tornam-se mais graves e menos responsivos à medicação dopaminérgica convencional, especialmente à levodopa. Além disso, surgem complicações não motoras progressivas, incluindo demência, transtornos do sono (como comportamento paradoxal do sono REM), depressão, ansiedade, disfagia, constipação grave, hipotensão ortostática e alucinações visuais. O manejo nesta etapa exige uma abordagem multidisciplinar, centrada no paciente e na qualidade de vida.
O ajuste farmacológico deve ser individualizado: pode incluir a otimização da levodopa com frações menores e mais frequentes, associação a inibidores da COMT (ex.: entacapona) ou MAO-B (ex.: rasagilina), uso de agonistas dopaminérgicos de liberação prolongada ou, em casos selecionados, infusão contínua subcutânea de apomorfina. A estimulação cerebral profunda (DBS) permanece uma opção viável para alguns pacientes ainda aptos cirurgicamente, desde que não apresentem demência significativa ou comprometimento cognitivo grave.
É fundamental integrar cuidados não farmacológicos: fisioterapia especializada em Parkinson para manter mobilidade e prevenir quedas; terapia ocupacional para adaptação do ambiente domiciliar e preservação da autonomia funcional; fonoaudiologia para avaliação e reabilitação da deglutição e da comunicação; e suporte psicológico contínuo para paciente e cuidadores. A nutrição deve ser cuidadosamente monitorada, com atenção à desnutrição, aspiração pulmonar e interações medicamentosas (ex.: proteínas que interferem na absorção da levodopa).
Na fase terminal, o foco desloca-se para os cuidados paliativos: controle sintomático rigoroso (ex.: clozapina para alucinações refratárias, midazolam para agitação, oxigênio ou opioides para dispneia), prevenção de complicações (úlceras por pressão, infecções respiratórias recorrentes) e apoio emocional e espiritual. A discussão antecipada sobre desejos de cuidados, diretivas antecipadas e limitação de intervenções agressivas é ética e clinicamente essencial, devendo envolver o paciente, familiares e equipe multiprofissional.