Quais nutrientes devem ser ingeridos durante a gravidez?
Durante a gestação, a nutrição materna desempenha um papel fundamental no desenvolvimento saudável do feto, na manutenção do bem-estar da gestante e na prevenção de complicações obstétricas. Recomenda-se uma dieta equilibrada, variada e individualizada, com aumento moderado de calorias — cerca de 340 kcal/dia no segundo trimestre e 452 kcal/dia no terceiro trimestre, em comparação com o período pré-gestacional.
O ácido fólico é essencial antes da concepção e nos primeiros meses de gravidez para prevenir defeitos do tubo neural; recomenda-se suplementação diária de 400 a 800 µg, iniciada idealmente três meses antes da concepção. O ferro também requer atenção: a necessidade aumenta significativamente (até 27 mg/dia), especialmente a partir do segundo trimestre, devido à expansão plasmática e à formação da placenta e das reservas fetais; suplementação profilática com sulfato ferroso ou outro sal ferroso é rotineiramente indicada, sob orientação médica, com monitoramento de hemoglobina e ferritina.
O cálcio (1.000 mg/dia) e a vitamina D (600 UI/dia) são cruciais para a mineralização óssea fetal e para a saúde materna; suplementos podem ser necessários caso a ingestão dietética seja insuficiente. O iodo (220 µg/dia) deve ser garantido, preferencialmente por meio de sal iodado e/ou suplementação, pois sua deficiência está associada a alterações neurológicas fetais. O ômega-3, especialmente o DHA (200–300 mg/dia), contribui para o desenvolvimento cerebral e visual do feto e pode ser obtido por meio de peixes de baixo teor de mercúrio (como sardinha e salmão) ou suplementos específicos.
É fundamental evitar restrições alimentares não justificadas, como dietas extremas ou exclusão de grupos alimentares sem indicação clínica. Devem ser evitados alimentos de risco para infecções foodborne, como carnes cruas ou malpassadas, leites não pasteurizados, queijos moles frescos (ex.: brie, camembert), ovos crus e peixes com alto teor de metilmercúrio (ex.: tubarão, espada, peixe-espada). A hidratação adequada (cerca de 2–2,5 L/dia de água) e o consumo regular de fibras também ajudam na prevenção de constipação — um sintoma frequente na gravidez.
Toda orientação nutricional deve ser personalizada conforme o estado nutricional pré-gestacional, comorbidades (ex.: diabetes gestacional, obesidade, hipotireoidismo), hábitos alimentares e necessidades socioeconômicas. A avaliação por nutricionista especializado em obstetrícia é altamente recomendada, assim como o acompanhamento contínuo pelo médico obstetra para ajustes terapêuticos conforme necessário.