Qual é a diferença entre gripe A e gripe B?
A principal diferença entre a gripe A e a gripe B reside no tipo de vírus influenza que as causa. A gripe A é causada por vírus do gênero Influenzavirus A, enquanto a gripe B é causada por vírus do gênero Influenzavirus B. Esses dois grupos apresentam diferenças estruturais importantes, especialmente nas proteínas de superfície — hemaglutinina (HA) e neuraminidase (NA) — que determinam sua capacidade de infecção, transmissão e evolução.
O vírus da gripe A possui grande diversidade antigênica, com múltiplos subtipos definidos pela combinação de HA (18 subtipos conhecidos) e NA (11 subtipos), como H1N1 ou H3N2. Ele infecta não apenas humanos, mas também aves, suínos e outros mamíferos, o que favorece mutações frequentes e eventos de recombinação genética — fatores que contribuem para surtos sazonais e potenciais pandemias. Já o vírus da gripe B é menos variável, não possui subtipos, e circula quase exclusivamente em humanos; suas linhagens são classificadas em dois principais linhagens: B/Victoria e B/Yamagata (embora esta última não tenha sido detectada globalmente desde 2020).
Clinicamente, ambas as infecções causam quadros semelhantes: febre súbita, mialgias intensas, cefaleia, fadiga prostrante, tosse seca e dor de garganta. No entanto, estudos epidemiológicos sugerem que a gripe A tende a afetar mais intensamente grupos de risco — como idosos, crianças pequenas e pacientes com comorbidades — e está associada a maior risco de complicações graves, como pneumonia viral ou bacteriana secundária, síndrome do desconforto respiratório agudo (SDRA) e exacerbação de doenças crônicas. A gripe B, embora geralmente considerada menos virulenta, pode causar doença grave, especialmente em crianças e adolescentes, e tem sido associada a uma incidência relativamente maior de miocardite e rabdomiólise em alguns surtos.
Do ponto de vista diagnóstico, testes moleculares (RT-PCR) e antígenos rápidos podem diferenciar os tipos A e B, o que é relevante para vigilância epidemiológica e, em certos contextos clínicos, para orientação terapêutica — já que alguns antivirais (como o baloxavir) têm eficácia comprovada contra ambos, enquanto outros (como o oseltamivir) mantêm ampla atividade, mas a sensibilidade viral pode variar conforme o subtipo. A vacinação anual continua sendo a medida preventiva mais eficaz: as vacinas quadrivalentes disponíveis no Brasil incluem dois subtipos de gripe A (H1N1 e H3N2) e duas linhagens de gripe B (geralmente Victoria e, historicamente, Yamagata), garantindo cobertura abrangente contra os vírus mais prováveis de circular na temporada.