Como tratar um calo?
Os calosidades plantares, conhecidos popularmente como “olhos-de-peixe” ou “calos duros”, são lesões cutâneas hiperqueratóticas causadas por pressão ou fricção localizada contínua, frequentemente sobre áreas de proeminência óssea do pé — como a cabeça dos metatarsianos, os dedos dos pés ou o calcanhar. O tratamento deve ser individualizado, levando em conta a gravidade, localização, presença de comorbidades (como diabetes mellitus ou neuropatia periférica) e o risco de complicações.
O primeiro passo é a remoção da causa mecânica: uso de calçados adequados, com amortecimento suficiente, largura adequada na região anterior do pé e sem pressão excessiva sobre áreas sensíveis; além disso, podem ser indicadas palmilhas personalizadas ou dispositivos de descarga (como protetores de silicone ou espumas redutoras de pressão). Em consultório, o podólogo ou médico especialista pode realizar a desqueratinização cuidadosa com cureta estéril ou lima dermatológica — procedimento que deve ser feito com técnica precisa para evitar lesões dérmicas profundas, sobretudo em pacientes com alterações vasculares ou neurológicas.
Tratamentos tópicos incluem ácido salicílico a 15–40% (em forma de solução, plástico ou pomada), aplicado diariamente após imersão do pé em água morna e leve esfoliação com lixa ou pedra-pomes. É fundamental ressaltar que esses produtos não devem ser usados por pacientes diabéticos, com má circulação ou sensibilidade reduzida, devido ao risco elevado de ulceração e infecção. Em casos refratários ou recorrentes, pode-se considerar crioterapia com nitrogênio líquido, injeção intralesional de corticoide (para reduzir inflamação e dor) ou, excepcionalmente, excisão cirúrgica sob anestesia local — sempre com avaliação prévia da biomecânica do pé e, se necessário, correção de fatores predisponentes, como deformidades digitais ou alterações posturais.
É essencial reforçar a prevenção: higiene podal regular, hidratação da pele com emolientes à base de ureia ou ácido láctico, inspeção diária dos pés (especialmente em idosos e portadores de doenças sistêmicas) e acompanhamento periódico com profissional qualificado. Qualquer sinal de infecção (eritema, calor, edema, secreção purulenta) ou dor intensa exige avaliação médica imediata.