Como tratar a vitiligo?
A vitiligo é uma doença autoimune crônica caracterizada pela perda progressiva de melanócitos — as células responsáveis pela produção de melanina — resultando em manchas despigmentadas bem delimitadas na pele, mucosas e, ocasionalmente, no couro cabeludo ou pelos. O tratamento deve ser individualizado, levando em consideração a extensão, localização, atividade da doença, idade do paciente, impacto psicossocial e comorbidades associadas.
As opções terapêuticas incluem: fototerapia com UVB de banda estreita (UVB-311 nm), que é considerada primeira linha para lesões generalizadas; corticosteroides tópicos de potência média a alta, indicados principalmente para lesões localizadas e estáveis; inibidores tópicos da calcineurina (como tacrolimo 0,1% ou pimecrolimo 1%), especialmente úteis em áreas delicadas como face e pregas, e em crianças; e, mais recentemente, os inibidores tópicos de JAK (como ruxolitinibe 1,5% gel), aprovados por agências regulatórias para uso em adultos e adolescentes com vitiligo não segmentar.
Em casos refratários ou com envolvimento extenso (>20% da superfície corporal), podem ser consideradas terapias sistêmicas — como corticosteroides orais em esquema pulsátil ou micofenolato mofetil — sob rigorosa supervisão dermatológica. A transplantação de melanócitos autólogos (em técnica de suspensão celular ou folhas epidérmicas) é uma opção cirúrgica eficaz para pacientes com vitiligo estável há pelo menos 12 meses e sem resposta a tratamentos conservadores.
É fundamental o acompanhamento multidisciplinar: orientação sobre fotoproteção rigorosa (uso diário de filtro solar FPS ≥50), suporte psicológico — dada a alta prevalência de ansiedade, depressão e transtornos de imagem corporal — e rastreamento de outras doenças autoimunes associadas, como tireoidite de Hashimoto, diabetes mellitus tipo 1 e anemia perniciosa. O prognóstico varia, mas respostas parciais ou completas são observadas em até 70% dos pacientes com tratamento adequado e adesão contínua.