Como é feito o diagnóstico da atrofia muscular?
A atrofia muscular é avaliada por meio de uma abordagem diagnóstica integrada, que começa com uma anamnese detalhada e exame físico cuidadoso. Na anamnese, investiga-se a idade de início, padrão de progressão (simétrico ou assimétrico), presença de fraqueza associada, histórico familiar, exposição a toxinas, uso de medicamentos, doenças sistêmicas pré-existentes e sintomas neurológicos ou musculoesqueléticos complementares. O exame físico foca na inspeção da massa muscular, simetria, presença de fasciculações, tônus, força muscular (avaliada segundo a escala de Medical Research Council — MRC), reflexos profundos e sinais de envolvimento neurológico central ou periférico.
Os exames complementares são escolhidos de forma direcionada, conforme a suspeita clínica. Exames laboratoriais incluem dosagem sérica de creatina quinase (CK), enzimas hepáticas, função renal, eletrólitos, tireoide, vitamina D, vitamina B12, marcadores autoimunes (como anticorpos anti-Jo-1, anti-Mi-2) e testes genéticos quando indicado (ex.: análise do gene DMD na distrofia muscular de Duchenne). A eletroneuromiografia (ENMG) é fundamental para diferenciar entre causas neurogênicas (como neuropatias periféricas ou doenças do neurônio motor) e miopáticas (como distrofias ou miopatias inflamatórias).
A ressonância magnética muscular pode revelar padrões característicos de envolvimento seletivo de grupos musculares, auxiliando no diagnóstico diferencial — por exemplo, alterações específicas nos músculos pélvicos em distrofias ou nos músculos proximais em miopatias inflamatórias. Em casos selecionados, a biópsia muscular é indicada para avaliação histológica, imuno-histoquímica e ultraestrutural, especialmente quando há suspeita de miopatia congênita, mitocondrial ou inflamatória não esclarecida por outros métodos. A avaliação multidisciplinar — envolvendo neurologista, reumatologista, geneticista e fisiatra — é essencial para orientação diagnóstica precisa e manejo integral do paciente.