Como é feito o tratamento da esofagite?
A esofagite é uma inflamação do revestimento do esôfago, frequentemente causada por refluxo gastroesofágico (ERGE), infecções (como por Candida albicans, vírus herpes simples ou citomegalovírus), uso de medicamentos irritantes (ex.: bisfosfonatos, antibióticos orais como a tetraciclina), ou condições sistêmicas como esclerodermia ou eosinofilia esofágica. O tratamento deve ser individualizado conforme a causa subjacente, a gravidade dos sintomas e as complicações presentes.
Na esofagite por refluxo — a forma mais comum — a abordagem inicial inclui medidas não farmacológicas: elevação da cabeceira da cama, evitar refeições pesadas antes de deitar, redução do consumo de álcool, café, chocolate, alimentos ácidos ou gordurosos, além do controle do peso e cessação do tabagismo. Farmacologicamente, os inibidores da bomba de prótons (IBP), como omeprazol, esomeprazol ou pantoprazol, são a primeira linha terapêutica, administrados em dose padrão por via oral, geralmente por 8 semanas. Em casos refratários ou com lesões graves (ex.: esofagite erosiva grau C ou D segundo Los Angeles), pode-se considerar dose dupla ou tratamento de manutenção contínua.
Para esofagite infecciosa, o tratamento depende do agente identificado: antifúngicos sistêmicos (ex.: fluconazol) para candidíase; aciclovir ou valaciclovir para herpes simples; ganciclovir ou foscarnet para citomegalovírus. Em pacientes imunossuprimidos (ex.: com HIV/AIDS ou em uso de corticosteroides), a avaliação endoscópica com biópsia é essencial para diagnóstico etiológico preciso.
Na esofagite eosinofílica, recomenda-se abordagem multidisciplinar envolvendo gastroenterologista e alergologista. As opções incluem dieta de eliminação guiada por teste alérgico, corticosteroides tópicos orais (ex.: budesonida orodispersível) e, em alguns casos, dupilumabe (anticorpo monoclonal anti-IL-4Rα), recentemente aprovado para essa indicação. Já na esofagite induzida por medicamentos, a suspensão do agente causal é fundamental, associada à proteção mucosa com IBP e orientação sobre técnica correta de ingestão (ex.: tomar com abundância de água, permanecer ereto por pelo menos 30 minutos após a medicação).
Em todos os casos, a endoscopia diagnóstica é indicada quando há sinais de alarme — disfagia progressiva, perda ponderal inexplicada, hematemese, anemia ferropriva ou idade avançada — para avaliar complicações como estenose, úlceras profundas ou displasia. O acompanhamento clínico regular é essencial para monitorar resposta ao tratamento, prevenir recorrências e detectar precocemente alterações pré-neoplásicas, especialmente em pacientes com esofagite crônica e metaplasia de Barrett.