Como tratar a faringite crônica com muita secreção branca e viscosa?
A faringite crônica caracterizada por produção abundante de secreção branca e viscosa (catarro) geralmente reflete uma inflamação persistente da mucosa faríngea, frequentemente associada a fatores irritativos contínuos — como exposição à poluição do ar, tabagismo ativo ou passivo, refluxo gastroesofágico (RGE), alergias respiratórias, desidratação crônica ou infecções recorrentes subclínicas. O catarro branco e espesso é típico de um estado de hipersecreção mucosa com alteração na composição e viscosidade das secreções, muitas vezes secundário à estase mucociliar e à proliferação de microrganismos não patogênicos em biofilmes.
O tratamento deve ser individualizado e multifatorial. Em primeiro lugar, é essencial identificar e eliminar os fatores desencadeantes: cessação tabágica rigorosa, controle adequado do RGE com inibidores da bomba de prótons (ex.: omeprazol) e medidas comportamentais (elevação do headboard, evitar refeições noturnas), redução da exposição a alérgenos e poluentes, e hidratação oral adequada (1,5–2 litros/dia de água). A irrigação nasal com solução salina isotônica duas vezes ao dia pode melhorar a drenagem pós-nasal e reduzir a estimulação reflexa da faringe.
Em casos com evidência clínica de componente infeccioso bacteriano secundário (ex.: secreção purulenta, febre, linfadenopatia cervical), pode-se considerar antibioticoterapia dirigida após avaliação otolaringológica — porém, antibióticos não são indicados rotineiramente na faringite crônica sem critérios objetivos de infecção aguda. Terapias complementares com evidência moderada incluem uso tópico de corticosteroides orais em enxaguatório (ex.: budesonida 0,25 mg/5 mL, bochecho seguido de deglutição controlada) sob orientação médica, além de suplementação com N-acetilcisteína (600 mg/dia), que exerce efeito mucolítico e antioxidante, ajudando a normalizar a viscosidade do muco.
Recomenda-se avaliação especializada com otorrinolaringologista para endoscopia nasofaringolaringoscópica, que permite avaliar a morfologia da mucosa, presença de hipertrofia linfóide, sinais de refluxo laríngeo (LPR) ou outras alterações estruturais. Em alguns pacientes, exames complementares — como pHmetria esofágica, teste cutâneo para alergias ou cultura de secreção faríngea — podem ser necessários para direcionar o manejo. A melhora costuma ser gradual, exigindo adesão contínua às medidas não farmacológicas por, no mínimo, 8–12 semanas.