Como tratar as cicatrizes de acne e os poros dilatados?
A presença de cicatrizes atróficas pós-acne (comumente chamadas de “crateras” ou “pocinhos”) associada a poros dilatados é um desafio dermatológico frequente, resultante de processos inflamatórios profundos que causam destruição do colágeno dérmico e alterações na estrutura folicular. A abordagem deve ser personalizada, combinando tratamentos tópicos, procedimentos físicos e medidas de manutenção.
O tratamento tópico mais eficaz inclui retinoides tópicos (como tretinoína ou adapaleno), que estimulam a renovação epidérmica e a síntese de colágeno tipo I e III, melhorando gradualmente a textura cutânea e reduzindo a aparência dos poros. Ácidos como o glicólico e o salicílico, em concentrações adequadas e sob orientação médica, auxiliam na descamação controlada e na regulação da queratinização folicular — fundamental para prevenir obstrução e dilatação progressiva dos poros.
Entre os procedimentos estéticos com evidência consolidada estão a microneedling (com ou sem radiofrequência), que induz neocolagênese por meio de microlesões controladas; os peelings químicos médicos (como fenol em baixa concentração ou ácido tricloroacético 15–35%), indicados conforme profundidade das cicatrizes; e os lasers fracionados não ablativos (ex.: 1550 nm) ou ablativos (ex.: CO₂ fracionado), cuja escolha depende do tipo de cicatriz (roling, boxcar ou icepick), fototipo cutâneo e tolerância ao tempo de recuperação.
É essencial reforçar que nenhum tratamento substitui o controle ativo da acne ativa: sem controle da inflamação folicular recorrente, novas lesões continuarão gerando novas cicatrizes e agravando a dilatação dos poros. Portanto, a avaliação dermatológica inicial deve incluir diagnóstico etiológico da acne (hormonal, comedogênica, inflamatória), com possível indicação de terapia sistêmica (ex.: isotretinoína oral em casos moderados a graves) antes mesmo do início dos procedimentos corretivos.
Além disso, a fotoproteção diária rigorosa com filtro solar de amplo espectro (FPS ≥ 30, com proteção UVA alta) é obrigatória — a exposição solar não controlada piora a pigmentação pós-inflamatória, compromete a reparação tecidual e pode exacerbar a aparência das irregularidades cutâneas. A hidratação adequada com produtos não comedogênicos também contribui para equilibrar a barreira cutânea e otimizar os resultados terapêuticos.