【Clínica Médica Geral】O que pode causar um aumento dos níveis de células epiteliais?
A presença de um número elevado de células epiteliais na urina (epitélio urinário aumentado) é um achado comum em exames de urina de rotina e pode ter diversas causas, muitas vezes benignas, mas que exigem avaliação clínica adequada. As células epiteliais são células que revestem as superfícies internas do trato urinário — desde os rins (túbulo renal), passando pela bexiga e uretra — e sua excreção urinária em pequena quantidade é fisiológica. No entanto, quando há aumento significativo, isso pode indicar alterações no epitélio urotelial.
As causas mais frequentes incluem contaminação da amostra, especialmente em coleta inadequada (por exemplo, sem higiene prévia ou sem a técnica do “jato médio”), o que é particularmente comum em mulheres devido à proximidade anatômica entre a uretra e a vagina. Infecções do trato urinário (ITU), como cistite ou uretrite, também promovem descamação intensa do epitélio de revestimento, levando ao aumento dessas células. Processos inflamatórios não infecciosos — como cistite intersticial, esclerose sistêmica ou reações adversas a medicamentos — podem ter o mesmo efeito.
Outras possibilidades relevantes incluem obstrução urinária (ex.: litíase renal, estenose ureteral ou hipertrofia prostática benigna), lesões traumáticas (como após cateterismo vesical), neoplasias do trato urinário (embora raras, devem ser consideradas em pacientes com fatores de risco ou achados associados, como hematúria persistente ou cilindros renais) e doenças renais parenquimatosas, como nefrite tubulointersticial ou glomerulonefrite avançada, nas quais ocorre dano tubular com consequente exfoliação celular.
É fundamental interpretar esse achado no contexto clínico: sintomas associados (dor lombar, disúria, polaciúria, febre), resultados de outros parâmetros urinários (leucócitos, nitritos, hemácias, proteína, cilindros) e exames complementares (urocultura, ultrassonografia renal e de vias urinárias, citologia urinária, quando indicado). Em muitos casos, a repetição do exame com coleta rigorosa resolve a dúvida. Nunca deve ser interpretado isoladamente — sempre requer correlação com o quadro global do paciente.