Comer pêssegos durante a gravidez pode causar aborto espontâneo?
Não há evidências científicas que comprovem que o consumo de pêssegos durante a gravidez cause “deslizamento fetal” (termo popular, não médico, frequentemente associado à ameaça de abortamento ou parto prematuro). O pêssego é uma fruta nutritiva, rica em vitamina C, potássio, fibras dietéticas e antioxidantes, podendo fazer parte de uma alimentação equilibrada na gestação.
É importante ressaltar que, embora o pêssego seja seguro para a maioria das gestantes, algumas precauções devem ser observadas: a fruta deve ser bem lavada para eliminar resíduos de agrotóxicos ou microrganismos; o consumo deve ser moderado, especialmente em mulheres com diabetes gestacional ou tendência à hiperglicemia, pois contém açúcares naturais; e indivíduos com alergia prévia ao pêssego ou a outras frutas da família Rosaceae (como ameixa ou amêndoa) devem evitá-lo.
O conceito de “frutas que causam deslizamento fetal” não tem base fisiopatológica nem respaldo em estudos clínicos. Complicações obstétricas como abortamento espontâneo ou trabalho de parto prematuro estão associadas a fatores como alterações cromossômicas, infecções, distúrbios imunológicos, anomalias uterinas, doenças maternas crônicas (ex.: hipotireoidismo não controlado, lupus eritematoso sistêmico) ou exposição a agentes teratogênicos — e não ao consumo de frutas saudáveis como o pêssego.
Recomenda-se que toda gestante mantenha uma dieta variada, segura e individualizada, sob orientação de profissionais de saúde (médico obstetra e nutricionista), evitando mitos populares sem embasamento científico. Qualquer sintoma preocupante — como sangramento vaginal, contrações regulares, perda de líquido amniótico ou diminuição dos movimentos fetais — deve ser avaliado imediatamente por equipe especializada.