O que fazer quando os seios ficam doloridos e inchados após a menstruação?
É comum que muitas mulheres experimentem inchaço e dor mamária nos dias que antecedem ou seguem a menstruação — um sintoma frequentemente associado à síndrome pré-menstrual (SPM) ou ao transtorno disf
É comum que muitas mulheres experimentem inchaço e dor mamária nos dias que antecedem ou seguem a menstruação — um sintoma frequentemente associado à síndrome pré-menstrual (SPM) ou ao transtorno disfórico pré-menstrual (TDPM). Essa sensibilidade mamária, conhecida clinicamente como mastalgia cíclica, ocorre devido às flutuações hormonais naturais do ciclo menstrual, especialmente ao aumento relativo dos níveis de estrogênio e progesterona, que estimulam o tecido glandular e ductal das mamas, causando retenção hídrica e edema.
A mastalgia pós-menstrual — ou seja, quando a dor persiste ou surge logo após o término da menstruação — merece atenção diferenciada. Embora possa ainda fazer parte de um padrão cíclico em algumas mulheres, sua ocorrência isolada nessa fase pode indicar desequilíbrios hormonais sutis, como uma deficiência relativa de progesterona no final da fase lútea, ou até mesmo alterações na sensibilidade dos receptores hormonais mamários. Em casos raros, deve-se considerar outras causas não relacionadas ao ciclo, como mastopatia fibrocística, uso recente de contraceptivos hormonais, ou mudanças no metabolismo da prolactina.
O manejo inicial é conservador e baseado em evidências: recomenda-se o uso de sutiãs bem estruturados para reduzir a movimentação mamária, redução da ingestão de cafeína e sal (que podem exacerbar a retenção de líquidos), e suplementação com ácido gama-linolênico (GLA), presente em óleo de prímula, com eficácia demonstrada em ensaios clínicos para alívio da mastalgia cíclica. Em situações persistentes ou intensas, a avaliação por mastologista inclui exame físico detalhado, ultrassonografia mamária e, se necessário, mamografia — especialmente em mulheres acima de 40 anos ou com fatores de risco para câncer de mama.
É fundamental ressaltar que a dor mamária isolada, sem outros sinais como nódulos palpáveis, secreção papilar, alterações cutâneas ou assimetria progressiva, raramente indica malignidade. No entanto, qualquer mudança nova, unilateral ou progressiva deve ser investigada de forma sistemática, pois o diagnóstico precoce continua sendo o principal determinante do prognóstico favorável em doenças mamárias.