O que fazer quando beber álcool causa desconforto gástrico? Dicas para aliviar os sintomas
Beber álcool pode desencadear uma série de desconfortos gastrointestinais — desde sensação de queimação e náusea até dor epigástrica, distensão abdominal e até vômitos. Esses sintomas ocorrem porque o
Beber álcool pode desencadear uma série de desconfortos gastrointestinais — desde sensação de queimação e náusea até dor epigástrica, distensão abdominal e até vômitos. Esses sintomas ocorrem porque o etanol irrita diretamente a mucosa gástrica, estimula a secreção excessiva de ácido clorídrico, reduz a produção de muco protetor e compromete a motilidade gástrica. Em alguns casos, o consumo agudo ou excessivo pode levar à gastrite alcoólica aguda, caracterizada por edema, hiperemia e, ocasionalmente, erosões superficiais na parede do estômago.
O primeiro passo para aliviar o mal-estar é interromper imediatamente a ingestão de álcool. Em seguida, recomenda-se repouso e hidratação oral com soluções isotônicas ou água com pequena quantidade de sal e açúcar, especialmente se houver vômitos ou diarreia — fatores que aumentam o risco de desidratação e desequilíbrio eletrolítico. Evitar alimentos gordurosos, condimentados ou muito quentes nas primeiras 12 a 24 horas ajuda a reduzir a estimulação ácida e a permitir a recuperação da mucosa.
Medicamentos devem ser usados com cautela: antiácidos de ação rápida (como carbonato de cálcio ou hidróxido de alumínio) podem aliviar temporariamente a queimação, mas não tratam a causa subjacente. Inibidores da bomba de prótons (ex.: omeprazol) ou antagonistas dos receptores H₂ (ex.: ranitidina) só são indicados sob orientação médica, especialmente em quadros recorrentes ou associados a sinais de alarme — como sangramento digestivo (vômito com aspecto de borra de café ou fezes melênas), perda ponderal inexplicada ou dor persistente por mais de três dias.
É fundamental lembrar que a prevenção é a estratégia mais eficaz: ingerir álcool com moderação — definida pela Organização Mundial da Saúde como até duas doses padrão por dia para homens e uma para mulheres — e sempre acompanhado de alimentos. Indivíduos com diagnóstico prévio de gastrite, úlcera péptica, doença do refluxo gastroesofágico ou alterações hepáticas devem evitar o álcool completamente, pois o risco de complicações é significativamente maior.