O que fazer em caso de intussuscepção intestinal em bebês
Intussuscepção intestinal em lactentes é uma emergência pediátrica que exige diagnóstico e tratamento imediatos. Trata-se de um processo no qual um segmento do intestino se invagina dentro de outro, c
Intussuscepção intestinal em lactentes é uma emergência pediátrica que exige diagnóstico e tratamento imediatos. Trata-se de um processo no qual um segmento do intestino se invagina dentro de outro, causando obstrução mecânica, isquemia progressiva e, potencialmente, perfuração intestinal se não for tratado precocemente.
Os sinais clínicos típicos incluem cólicas abdominais intensas e paroxísticas, vômitos (inicialmente alimentares, podendo evoluir para bile ou conteúdo fecaloides), presença de “massa em azeitona” ao exame físico abdominal e evacuações com aspecto de “geleia de groselha”, decorrentes de sangramento mucoso associado à isquemia da parede intestinal. Em lactentes menores de 6 meses, os sintomas podem ser menos específicos, como irritabilidade persistente, letargia ou apneia transitória — o que reforça a necessidade de alto índice de suspeita clínica.
O diagnóstico é confirmado por ultrassonografia abdominal, que apresenta achados característicos como o sinal do “alvo” ou “rosquinha” em corte transversal e o sinal do “tubo em tubo” em corte longitudinal. A tomografia computadorizada é reservada para casos duvidosos ou quando há contraindicação à tentativa de redução não cirúrgica.
O tratamento inicial é não cirúrgico, mediante redução hidrostática ou pneumática sob orientação radiológica ou ecográfica. A redução pneumática, realizada com insuflação de ar via sonda retal sob controle fluoroscópico, possui taxa de sucesso entre 70% e 90%, com baixa taxa de complicações quando realizada por equipe experiente. A redução hidrostática, com solução fisiológica ou solução salina equilibrada, é alternativa viável, especialmente em centros sem acesso à fluoroscopia, mas exige monitorização rigorosa para evitar perfuração.
Crianças com sinais de peritonite, choque séptico, perfuração confirmada ou falha na tentativa de redução devem ser submetidas à laparotomia imediata. Após redução bem-sucedida, é essencial observação hospitalar por pelo menos 24 horas para detecção precoce de recorrência — que ocorre em até 10% dos casos, geralmente nas primeiras 48–72 horas.
A causa primária permanece idiopática na maioria dos casos em lactentes, embora infecções virais (como rotavírus ou adenovírus) possam desencadear linfoides hiperplasia no íleo terminal, atuando como ponto de alavanca para a invaginação. Em crianças maiores ou com quadros recorrentes, deve-se investigar causas secundárias, como pólipos, tumores ou malformações congênitas.