Quais são os riscos à saúde do excesso de sal nos alimentos?
Excesso de sal na alimentação está diretamente associado a uma série de complicações cardiovasculares e renais. O cloreto de sódio, principal componente do sal de cozinha, quando consumido em quantida
Excesso de sal na alimentação está diretamente associado a uma série de complicações cardiovasculares e renais. O cloreto de sódio, principal componente do sal de cozinha, quando consumido em quantidades superiores às recomendadas — especialmente acima de 5 gramas por dia, conforme orientação da Organização Mundial da Saúde (OMS) — promove retenção hídrica, elevando a pressão arterial sistêmica. Essa hipertensão arterial sustentada é um dos principais fatores de risco modificáveis para infarto do miocárdio, acidente vascular cerebral e insuficiência cardíaca.
Além do impacto hemodinâmico, o sódio em excesso exerce efeito tóxico direto sobre o endotélio vascular, favorecendo inflamação crônica, disfunção endotelial e progressão da aterosclerose. Estudos epidemiológicos demonstram correlação consistente entre alta ingestão dietética de sódio e aumento da incidência de doenças renais crônicas, pois a sobrecarga de sódio aumenta a filtração glomerular e pode acelerar a perda de função renal ao longo do tempo.
Há ainda evidências crescentes de que o consumo excessivo de sal está relacionado à exacerbação de condições autoimunes, como esclerose múltipla e artrite reumatoide, possivelmente por meio da modulação negativa das células T reguladoras e da ativação de linfócitos Th17. Em pacientes com doença cardiovascular estabelecida ou com histórico familiar de hipertensão, a redução intencional do sal na dieta representa uma intervenção não farmacológica de alto impacto clínico e custo-efetividade comprovada.