O que acontece se fizer jejum intermitente durante a menstruação?
Adotar práticas de jejum intermitente durante o período menstrual é uma tendência crescente, mas exige cautela. Embora algumas mulheres relatem sensação subjetiva de bem-estar com estratégias como o j
Adotar práticas de jejum intermitente durante o período menstrual é uma tendência crescente, mas exige cautela. Embora algumas mulheres relatem sensação subjetiva de bem-estar com estratégias como o jejum de 16 horas (16:8), a fisiologia do ciclo menstrual impõe demandas metabólicas específicas que devem ser respeitadas.
Durante a fase folicular — que se inicia com a menstruação — os níveis de estrogênio estão baixos e tendem a subir progressivamente. Nesse momento, o corpo apresenta maior sensibilidade à insulina e maior capacidade de utilizar glicose como fonte energética. Restrições calóricas excessivas ou jejuns prolongados podem comprometer a produção adequada de gonadotrofinas hipofisárias, prejudicando a maturação folicular e, potencialmente, a ovulação subsequente.
Na fase lútea — após a ovulação — há um aumento significativo de progesterona, hormônio com efeito termogênico e anabólico. A taxa metabólica basal eleva-se em até 5–10%, aumentando as necessidades energéticas. Jejuns rigorosos nessa fase podem intensificar sintomas pré-menstruais, como fadiga, irritabilidade, cefaleia e alterações no humor, além de contribuir para desequilíbrios na regulação do cortisol.
Evidências clínicas indicam que restrições alimentares inadequadas durante o ciclo menstrual estão associadas a distúrbios do eixo hipotálamo-hipófise-ovário (HHO), incluindo amenorreia funcional, oligomenorreia e anovulação — condições frequentemente observadas em atletas ou mulheres com padrões alimentares rígidos. O organismo interpreta a escassez energética como um sinal de inaptidão para a gravidez, suprimindo a função reprodutiva.
Profissionais de saúde recomendam priorizar uma nutrição equilibrada, com ingestão adequada de ferro, zinco, magnésio e ácidos graxos ômega-3, especialmente durante a menstruação, quando ocorre perda sanguínea e aumento da inflamação tecidual. Qualquer modificação no padrão alimentar deve ser individualizada, acompanhada por médico ou nutricionista especializado em saúde da mulher, e jamais imposta de forma padronizada ao longo de todas as fases do ciclo.