O que significa ter os dois ovários com aspecto policístico?
O termo “alterações policísticas nos ovários” refere-se a um achado ecográfico caracterizado pela presença de múltiplos folículos pequenos (geralmente entre 2 e 9 mm de diâmetro), dispostos periferica
O termo “alterações policísticas nos ovários” refere-se a um achado ecográfico caracterizado pela presença de múltiplos folículos pequenos (geralmente entre 2 e 9 mm de diâmetro), dispostos perifericamente ao redor do estroma ovariano aumentado, conferindo uma aparência semelhante à de uma “coroa de pérolas”. Esse padrão é observado em ambos os ovários durante exame ultrassonográfico transvaginal ou abdominal.
É importante destacar que essa alteração, por si só, não constitui um diagnóstico clínico de síndrome das ovárias policísticas (SOP). Trata-se de um achado morfológico comum — presente em até 20–30% das mulheres em idade reprodutiva sem qualquer sintoma ou distúrbio hormonal. Muitas vezes, ocorre de forma transitória e pode estar associada a fatores como uso recente de contraceptivos orais, ciclos anovulatórios isolados ou variações fisiológicas normais da função ovariana.
Para o diagnóstico de SOP, é necessário cumprir pelo menos dois dos três critérios de Rotterdam: (1) oligo- ou anovulação; (2) sinais clínicos ou bioquímicos de hiperandrogenismo (como acne, hirsutismo ou níveis elevados de testosterona sérica); e (3) alterações policísticas nos ovários à ultrassonografia — desde que outras causas de distúrbios endócrinos sejam excluídas, como hipotireoidismo, hiperprolactinemia ou síndrome de Cushing.
A identificação isolada de ovários com aspecto policístico exige avaliação cuidadosa do contexto clínico. Mulheres assintomáticas com esse achado não necessitam de tratamento específico, mas devem ser orientadas quanto à importância do acompanhamento periódico, especialmente se apresentarem fatores de risco para complicações metabólicas — como obesidade, resistência à insulina ou histórico familiar de diabetes tipo 2.
Em resumo, “ovários com aspecto policístico” é um sinal ecográfico, não uma doença. Sua relevância clínica depende sempre da correlação com sintomas, exames laboratoriais e história médica individualizada — nunca deve ser interpretado de forma isolada ou rotulada como patologia por si só.