O que significa perder um dos ovários
Perder um ovário — seja por cirurgia, infecção grave, torção ovariana ou outra causa — é uma situação mais comum do que se imagina e, na maioria dos casos, não compromete significativamente a saúde re
Perder um ovário — seja por cirurgia, infecção grave, torção ovariana ou outra causa — é uma situação mais comum do que se imagina e, na maioria dos casos, não compromete significativamente a saúde reprodutiva nem hormonal da mulher. O organismo feminino é dotado de uma notável capacidade de compensação: o ovário remanescente geralmente assume integralmente as funções endócrinas e ovulatórias, mantendo níveis adequados de estrógeno, progesterona e testosterona, além de liberar óvulos de forma regular.
Do ponto de vista reprodutivo, a fertilidade costuma permanecer preservada, desde que o ovário restante seja anatomicamente íntegro, vascularizado e funcional, e que as tubas uterinas correspondentes estejam permeáveis. Estudos indicam que mulheres com um único ovário apresentam taxas de concepção natural semelhantes às da população geral, embora possa haver uma leve redução na reserva ovariana total — fator que deve ser avaliado individualmente, especialmente em mulheres com idade avançada ou histórico de disfunção ovariana prévia.
É importante destacar que a remoção unilateral do ovário (ooforectomia unilateral) não acelera a menopausa. A menopausa ocorre quando a reserva folicular global se esgota, e isso depende da quantidade e qualidade dos folículos remanescentes, não do número de ovários. Contudo, em situações específicas — como quimioterapia prévia, endometriose extensa ou síndrome das ovários poliquísticos com comprometimento funcional — a avaliação da reserva ovariana (por meio de dosagem sérica de AMH e contagem de folículos antrais por ultrassonografia transvaginal) torna-se essencial para orientar o planejamento reprodutivo.
Do ponto de vista clínico, mulheres com um único ovário devem manter acompanhamento ginecológico periódico, incluindo exames de imagem sempre que indicado, pois o ovário remanescente pode estar sujeito a alterações benignas — como cistos funcionais ou endometriomas — com frequência semelhante à da população com dois ovários. Sintomas como dor pélvica persistente, distensão abdominal ou alterações menstruais merecem investigação cuidadosa.
Em resumo, a perda de um ovário não equivale à perda da função ovariana. Com acompanhamento adequado e avaliação personalizada, a maioria das mulheres mantém boa saúde hormonal, ciclos menstruais regulares e potencial fértil preservado ao longo da vida reprodutiva.