O que causa o zumbido associado à orelha acessória?
A otalgia associada à presença de uma “orelha acessória” — também conhecida como “aurícula acessória”, “pseudooto” ou “aurícula supranumerária” — não é, por si só, causa direta de zumbido (acufenos).
A otalgia associada à presença de uma “orelha acessória” — também conhecida como “aurícula acessória”, “pseudooto” ou “aurícula supranumerária” — não é, por si só, causa direta de zumbido (acufenos). Essa anomalia congênita consiste em um pequeno tecido cutâneo ou cartilaginoso, geralmente localizado na região pré-auricular (à frente do pavilhão auricular), que resulta de um desenvolvimento incompleto ou excessivo das cristas branquiais durante a embriogênese. Embora possa apresentar aparência semelhante a uma orelha miniaturizada, essa estrutura não possui função auditiva nem conexão anatômica com a cadeia ossicular, o ouvido médio ou o nervo auditivo.
O zumbido, por sua vez, é um sintoma perceptível apenas pelo próprio paciente, caracterizado pela sensação de ruído (como chiado, zumbido ou assobio) na ausência de estímulo acústico externo. Suas causas são multifatoriais e incluem alterações cocleares (ex.: perda auditiva induzida por ruído ou envelhecimento), disfunções da tuba auditiva, patologias vasculares (ex.: estenose carotídea ou malformações arteriovenosas), distúrbios neurológicos (ex.: esclerose múltipla), uso de ototóxicos (ex.: aminoglicosídeos, salicilatos em altas doses) e até transtornos psiquiátricos, como ansiedade e depressão.
Não há evidência científica que vincule diretamente a orelha acessória ao desenvolvimento de acufenos. Caso um paciente com essa anomalia apresente zumbido, deve-se investigar cuidadosamente outras causas potenciais por meio de anamnese detalhada, exame otoscópico, audiometria tonal e vocal, impedanciometria e, quando indicado, exames de imagem (como tomografia computadorizada ou ressonância magnética do ângulo ponto-cerebelar). A remoção cirúrgica da orelha acessória é considerada exclusivamente por motivos estéticos ou, raramente, se houver infecção recorrente ou trauma local — mas nunca como tratamento para zumbido.
É fundamental esclarecer aos pacientes que a presença de uma aurícula supranumerária é uma variação anatômica benigna, frequentemente isolada e sem implicações funcionais. O aparecimento concomitante de zumbido não implica relação causal e exige avaliação audiológica e otorrinolaringológica especializada para diagnóstico preciso e manejo adequado.