Quais são as causas dos nódulos eritematosos nas pernas?
O eritema nodoso é uma reação inflamatória cutânea caracterizada por nódulos dolorosos, avermelhados e bem delimitados, localizados predominantemente nas faces anteriores das pernas. Embora possa ocor
O eritema nodoso é uma reação inflamatória cutânea caracterizada por nódulos dolorosos, avermelhados e bem delimitados, localizados predominantemente nas faces anteriores das pernas. Embora possa ocorrer em outras regiões — como braços, coxas ou face — sua distribuição típica envolve a região tibial, especialmente em mulheres jovens e adultas.
A causa exata ainda não está totalmente esclarecida, mas sabe-se que o eritema nodoso representa uma resposta imunomediada do tipo hipersensibilidade de tipo IV, com envolvimento do tecido adiposo subcutâneo (panniculite lobular). Não é uma infecção primária da pele, mas sim uma manifestação sistêmica secundária a diversos estímulos desencadeantes.
Entre os fatores mais frequentemente associados estão infecções — particularmente a infecção pelo *Mycobacterium tuberculosis* (tuberculose), infecções estreptocócicas do trato respiratório superior, infecções por *Yersinia enterocolitica*, *Chlamydia trachomatis*, vírus Epstein-Barr e citomegalovírus. Também são reconhecidos como gatilhos doenças inflamatórias sistêmicas, como sarcoidose, doença de Crohn e colite ulcerativa, além de distúrbios autoimunes e certos medicamentos — notadamente sulfonamidas, brometos, contraceptivos orais e iodetos.
Em cerca de 30% a 50% dos casos, nenhuma causa identificável é encontrada, configurando o chamado eritema nodoso idiopático. Nesses pacientes, o quadro costuma ser autolimitado, com resolução espontânea em quatro a oito semanas, sem sequelas residuais, embora possa recidivar.
O diagnóstico baseia-se na avaliação clínica cuidadosa, complementada por exames laboratoriais (como hemograma, velocidade de hemossedimentação, proteína C reativa, testes sorológicos para infecções específicas e pesquisa de tuberculina) e, em situações selecionadas, biópsia cutânea — que revela panniculite lobular com infiltrado linfomonocitário e vasculite leve, sem necrose fibrinoide.
O tratamento é direcionado à causa subjacente, quando identificada. Nas formas idiopáticas ou leves, recomenda-se repouso, elevação dos membros inferiores, uso de anti-inflamatórios não esteroidais (AINEs) e, em casos refratários ou graves, corticosteroides sistêmicos ou agentes imunomoduladores. A abordagem deve sempre ser individualizada, considerando idade, comorbidades e gravidade clínica.