O que significa ter um dente crescendo na gengiva?
Um fenômeno clínico relativamente comum, especialmente em adolescentes e adultos jovens, é o aparecimento de um dente que parece “surgir” ou “emergir” através da gengiva já após a erupção normal ter o
Um fenômeno clínico relativamente comum, especialmente em adolescentes e adultos jovens, é o aparecimento de um dente que parece “surgir” ou “emergir” através da gengiva já após a erupção normal ter ocorrido — situação frequentemente descrita pelos pacientes como “o dente está crescendo na gengiva”. Na verdade, essa percepção não corresponde a uma nova erupção dentária, mas sim a um deslocamento coronal do dente, geralmente associado à reabsorção óssea alveolar ou à recessão gengival progressiva.
O mecanismo subjacente envolve, predominantemente, alterações no suporte periodontal: quando há perda de tecido ósseo alveolar — por fatores como periodontite crônica, má higiene bucal prolongada, tabagismo ou predisposição genética — o dente pode sofrer uma migração apical do seu ponto de inserção, expondo parte da raiz. Ao mesmo tempo, a gengiva marginal retrai-se, criando a ilusão de que o dente está “subindo”. Em alguns casos, especialmente em regiões anteriores, esse processo é acompanhado por hipersensibilidade dentinária, alterações estéticas (como alongamento aparente dos dentes) e maior suscetibilidade à cárie radicular.
É fundamental diferenciar essa condição de outras situações clínicas semelhantes, como a erupção tardia de dentes inclusos (ex.: terceiros molares), lesões císticas ou tumores ósseos que promovam deslocamento dentário, ou ainda processos inflamatórios agudos com edema gengival que distorçam a percepção da posição dentária. O diagnóstico adequado exige avaliação clínica detalhada, sondagem periodontal, radiografias periapicais ou tomografia computadorizada de feixe cônico (TCFC), conforme indicado.
O tratamento depende da causa subjacente. Em casos de recessão gengival isolada sem perda óssea significativa, procedimentos cirúrgicos como enxertos gengivais podem ser indicados para cobrir a raiz exposta. Quando há periodontite ativa, o foco deve ser o controle da infecção bacteriana, com raspagem e alisamento radicular, terapia antimicrobiana local ou sistêmica e manutenção periodontal rigorosa. Em situações avançadas, com mobilidade dentária acentuada ou perda óssea irreversível, pode ser necessário avaliar opções protéticas ou de reabilitação oral.
A prevenção continua sendo a estratégia mais eficaz: escovação adequada com técnica suave, uso diário de fio dental ou escovas interdentais, consultas regulares ao cirurgião-dentista e avaliação periodontal anual permitem detectar precocemente alterações sutis e interromper a progressão do dano tecidual.