Congestão nasal em bebês: compressa quente ou fria é mais indicada?
Quando um bebê apresenta congestão nasal, é comum que os pais fiquem em dúvida sobre qual tipo de compressa — quente ou fria — seria mais adequada. A resposta, porém, não depende apenas da temperatura
Quando um bebê apresenta congestão nasal, é comum que os pais fiquem em dúvida sobre qual tipo de compressa — quente ou fria — seria mais adequada. A resposta, porém, não depende apenas da temperatura aplicada, mas do mecanismo fisiológico subjacente à obstrução e da idade do lactente.
A congestão nasal em bebês geralmente resulta de inflamação das mucosas nasais associada ao aumento do fluxo sanguíneo local e à produção excessiva de muco, frequentemente desencadeada por infecções virais respiratórias agudas, como o resfriado comum. Nesses casos, a aplicação de calor úmido — como uma toalha morna e úmida (nunca quente demais) sobre a região frontal ou lateral do nariz — pode auxiliar na descongestão leve, pois promove vasodilatação moderada e melhora a fluidez das secreções. No entanto, essa medida tem efeito paliativo e limitado: não trata a causa subjacente e deve ser usada com extrema cautela para evitar queimaduras, já que a pele dos recém-nascidos e lactentes é extremamente fina e sensível.
Já as compressas frias ou geladas não são recomendadas para aliviar a obstrução nasal em bebês. Embora possam reduzir ligeiramente o edema tecidual por vasoconstrição, seu efeito é mínimo frente à congestão mucosa e pode até comprometer a drenagem fisiológica das vias aéreas superiores, além de causar desconforto térmico significativo ao lactente.
O método mais seguro e eficaz para tratar a congestão nasal em bebês continua sendo a lavagem nasal com solução fisiológica isotônica (0,9% de cloreto de sódio), seguida de aspiração suave com dispositivo de sucção nasal infantil — preferencialmente antes das mamadas e do sono. Essa abordagem é respaldada por diretrizes pediátricas internacionais, incluindo as da Sociedade Brasileira de Pediatria, por sua comprovada segurança, eficácia mecânica e ausência de efeitos adversos sistêmicos.
É fundamental ressaltar que nenhum tipo de compressa — quente ou fria — substitui a avaliação médica quando há sinais de alarme, como dificuldade respiratória persistente, cianose, febre acima de 38 °C em lactentes menores de três meses, recusa alimentar ou alterações no padrão de sono e comportamento. Nesses cenários, a investigação diagnóstica imediata é indispensável.