Câncer de mama: tumores únicos são mais comuns do que múltiplos?
O câncer de mama é, na grande maioria dos casos, um tumor monocêntrico — ou seja, origina-se de uma única lesão foco no tecido mamário. Estudos epidemiológicos e patológicos consistentes indicam que a
O câncer de mama é, na grande maioria dos casos, um tumor monocêntrico — ou seja, origina-se de uma única lesão foco no tecido mamário. Estudos epidemiológicos e patológicos consistentes indicam que aproximadamente 90% a 95% dos diagnósticos iniciais correspondem a tumores unifocais, nos quais há apenas um nódulo maligno identificável à mamografia, ultrassonografia ou ressonância magnética, e confirmado histologicamente.
A forma multifocal — caracterizada pela presença de dois ou mais tumores malignos no mesmo quadrante mamário, mas separados por tecido mamário normal — ocorre em cerca de 5% dos casos. Já a forma multicêntrica — definida pela existência de lesões malignas em quadrantes distintos da mesma mama — é ainda mais rara, com incidência estimada entre 1% e 3%. Essas formas multifocais ou multicêntricas frequentemente estão associadas a fatores de risco específicos, como mutações nos genes BRCA1 ou BRCA2, idade mais jovem ao diagnóstico, subtipos moleculares agressivos (por exemplo, tumores triplo-negativos) e padrões histológicos difusos, como o carcinoma ductal infiltrante com crescimento em padrão de “células em mosaico” ou extensa doença ductal intracanalicular (DCIS).
A distinção entre tumor unifocal, multifocal e multicêntrico tem implicações clínicas diretas: influencia a escolha entre cirurgia conservadora (com margens livres adequadas) e mastectomia, orienta a necessidade de avaliação radiológica mais abrangente (como ressonância magnética bilateral) e afeta o planejamento da radioterapia e da terapia sistêmica. Por isso, a caracterização precisa do padrão de envolvimento mamário é parte essencial da estadiamento inicial e da tomada de decisão multidisciplinar.