Como tratar tontura de forma eficaz
A tontura é um sintoma comum e heterogêneo, podendo resultar de diversas causas — desde distúrbios do sistema vestibular e alterações neurológicas até condições cardiovasculares, metabólicas ou psiqui
A tontura é um sintoma comum e heterogêneo, podendo resultar de diversas causas — desde distúrbios do sistema vestibular e alterações neurológicas até condições cardiovasculares, metabólicas ou psiquiátricas. O tratamento ideal não é padronizado, mas deve ser individualizado após diagnóstico preciso da etiologia subjacente.
Em casos de vertigem periférica, como a vertigem posicional paroxística benigna (VPPB), manobras de reposicionamento — especialmente a manobra de Epley — são intervenções de primeira linha, com eficácia superior a 80% após uma ou duas sessões. Para neurite vestibular ou vestibulopatia unilateral aguda, o tratamento envolve corticoterapia breve (ex.: prednisona por 5–7 dias), seguida de reabilitação vestibular supervisionada, que estimula a plasticidade neural central e acelera a compensação vestibular.
Nas vertigens centrais — associadas, por exemplo, a acidentes vasculares cerebrais no território vertebrobasilar, esclerose múltipla ou tumores do ângulo ponto-cerebelar — a abordagem prioriza o diagnóstico neuroimagemológico (ressonância magnética com contraste) e o manejo da causa específica: anticoagulação ou antiagregação em eventos isquêmicos, imunomodulação em doenças desmielinizantes, ou avaliação neurocirúrgica em lesões expansivas.
Quando a tontura está relacionada a distúrbios ansiosos ou depressivos, a terapia cognitivo-comportamental (TCC) demonstra eficácia comprovada, muitas vezes complementada por antidepressivos seletivos de recaptação da serotonina (ISRS), sempre com acompanhamento psiquiátrico. Já em pacientes idosos com tontura multifatorial — envolvendo polifarmácia, hipotensão ortostática, disfunção vestibular age-related e declínio proprioceptivo — a intervenção deve ser multidisciplinar: revisão medicamentosa, treino de equilíbrio, avaliação cardiovascular e orientação sobre prevenção de quedas.
É fundamental ressaltar que a automedicação com anti-histamínicos vestibulares (ex.: betahistina, dimenidrinato) ou benzodiazepínicos deve ser evitada fora de contexto clínico bem definido, pois pode mascarar diagnósticos graves, retardar a adaptação neural e aumentar o risco de sedação e quedas, sobretudo em idosos. O prognóstico é geralmente favorável quando há diagnóstico etiológico preciso e tratamento direcionado, reforçando a importância de uma avaliação otoneurológica especializada em casos persistentes ou atípicos.