Como tratar o câncer gástrico
O tratamento do câncer gástrico é altamente individualizado e depende de diversos fatores, incluindo o estágio da doença no momento do diagnóstico, a localização e o tipo histológico do tumor, bem com
O tratamento do câncer gástrico é altamente individualizado e depende de diversos fatores, incluindo o estágio da doença no momento do diagnóstico, a localização e o tipo histológico do tumor, bem como o estado geral de saúde do paciente. A abordagem terapêutica geralmente envolve uma combinação de modalidades, com cirurgia curativa sendo o pilar principal nos estágios iniciais.
Na fase localizada — quando o tumor está confinado à parede gástrica sem invasão linfonodal ou metastática — a gastrectomia parcial ou total, associada à linfadenectomia regional (remoção dos linfonodos ao redor do estômago), representa o tratamento de escolha. A técnica cirúrgica pode ser realizada por via laparoscópica ou aberta, sempre respeitando os princípios oncológicos de margens cirúrgicas adequadas e dissecação linfonodal sistemática.
Para tumores em estádios mais avançados — como os que apresentam envolvimento linfonodal regional ou extensão para estruturas adjacentes — o tratamento frequentemente incorpora terapia neoadjuvante: quimioterapia ou quimiorterapia pré-operatória, com o objetivo de reduzir o volume tumoral e melhorar as taxas de ressecabilidade completa. Após a cirurgia, a quimioterapia adjuvante pode ser indicada para eliminar células residuais e reduzir o risco de recorrência.
Em casos de doença metastática ou não operável, o foco terapêutico desloca-se para o controle sistêmico. A quimioterapia combinada (ex.: esquemas com fluoropirimidinas, platina e antracíclicos) continua sendo a base do tratamento, mas nos últimos anos houve avanços significativos com terapias-alvo e imunoterapia. Pacientes com superexpressão de HER2 recebem trastuzumabe associado à quimioterapia; já aqueles com expressão positiva de PD-L1 e microsatélites estáveis (MSS) podem beneficiar-se de inibidores de checkpoint imunológico, como pembrolizumabe, especialmente em linhagem tumoral com deficiência de reparo de DNA (dMMR/MSI-H).
A avaliação multidisciplinar — envolvendo gastroenterologistas, oncologistas clínicos, cirurgiões oncológicos, radiologistas e patologistas — é essencial para definir a estratégia terapêutica ideal. Além disso, o acompanhamento pós-tratamento deve incluir endoscopias periódicas, exames de imagem e monitoramento nutricional, dada a alta prevalência de síndromes pós-gastrectomia, como má absorção e deficiências vitamínicas.