O uso prolongado de rhubarbo causa câncer?
O uso prolongado de Rheum palmatum — conhecida popularmente como ruibarbo-chinês ou “dahuang” na medicina tradicional chinesa — levanta preocupações legítimas quanto à segurança, especialmente em rela
O uso prolongado de Rheum palmatum — conhecida popularmente como ruibarbo-chinês ou “dahuang” na medicina tradicional chinesa — levanta preocupações legítimas quanto à segurança, especialmente em relação ao risco de carcinogenicidade. Embora essa planta tenha sido empregada por séculos no tratamento de constipação aguda e distúrbios digestivos, sua composição química inclui antraquinonas, como a emodina e a dantrona, substâncias com potencial genotóxico e citotóxico demonstrado em estudos pré-clínicos.
A Agência Europeia de Medicamentos (EMA) e a Organização Mundial da Saúde (OMS) recomendam estritamente que preparações contendo antraquinonas vegetais sejam utilizadas apenas por períodos curtos — geralmente não superiores a 1–2 semanas — e nunca de forma contínua ou crônica. Isso porque evidências experimentais indicam que a exposição prolongada pode causar hiperplasia das células epiteliais do cólon, alterações na expressão de genes supressores de tumores (como o TP53) e aumento da proliferação celular anormal, fatores associados ao desenvolvimento de neoplasias colorretais em modelos animais.
É importante destacar que, até o momento, não há dados conclusivos de estudos epidemiológicos em humanos que confirmem uma ligação direta entre o consumo crônico de dahuang e o aumento da incidência de câncer colorretal na população. Contudo, a ausência de evidência robusta não equivale à evidência de ausência de risco — sobretudo considerando os mecanismos biológicos plausíveis e os alertas regulatórios internacionais.
Profissionais de saúde devem orientar pacientes sobre os riscos do automedicação com fitoterápicos contendo antraquinonas, reforçando que alternativas seguras e eficazes para o manejo da constipação crônica existem, como fibras dietéticas solúveis, laxantes osmóticos (ex.: polietilenoglicol) e moduladores da motilidade intestinal (ex.: prucaloprida), sempre sob supervisão médica.