Testículo não descendido: a diferença de tamanho entre os testículos afeta a fertilidade?
Um dos aspectos mais frequentes abordados por pais ao consultarem um urologista pediátrico é a assimetria testicular — ou seja, a observação de que um testículo é visivelmente maior ou menor que o out
Um dos aspectos mais frequentes abordados por pais ao consultarem um urologista pediátrico é a assimetria testicular — ou seja, a observação de que um testículo é visivelmente maior ou menor que o outro. Embora essa diferença de tamanho possa gerar preocupação, é fundamental contextualizá-la clinicamente: em muitos casos, trata-se de uma variação fisiológica normal, especialmente durante a infância e a puberdade, quando os testículos ainda estão em fase de maturação.
No entanto, quando há uma discrepância significativa — particularmente se associada à ausência palpável de um dos testículos no escroto — deve-se investigar a possibilidade de criptorquidia, condição caracterizada pela falha na descida testicular até a bolsa escrotal. A criptorquidia unilateral (afetando apenas um lado) é relativamente comum, ocorrendo em cerca de 3% dos recém-nascidos a termo, com taxa de resolução espontânea de aproximadamente 70% nos primeiros seis meses de vida. Já a forma bilateral é menos frequente, mas carrega implicações mais relevantes para a função gonadal futura.
O impacto sobre a fertilidade depende diretamente da gravidade e do tempo de exposição ao ambiente abdominal ou inguinal. Temperaturas superiores às do escroto interferem na espermatogênese, podendo levar à perda progressiva de células germinativas. Estudos mostram que homens com criptorquidia unilateral não tratada têm risco aumentado de oligozoospermia ou azoospermia, além de redução na contagem total de espermatozoides. Em casos bilaterais, esse risco é ainda mais elevado, com estima-se que até 50% dos pacientes desenvolvam infertilidade clinicamente relevante na idade adulta.
É importante destacar que o diagnóstico precoce e a intervenção adequada — geralmente cirúrgica (orquiopexia) realizada entre os 6 e 18 meses de idade — são fundamentais para preservar a função testicular e otimizar as chances de fertilidade futura. Além disso, a criptorquidia está associada a um risco aumentado de neoplasia testicular, independentemente do lado afetado, reforçando a necessidade de acompanhamento urológico contínuo ao longo da vida.
Portanto, embora uma leve assimetria testicular seja comumente inócua, qualquer suspeita de ausência ou má posição de um testículo exige avaliação especializada. A orientação médica individualizada, baseada em exame físico detalhado, ultrassonografia escrotal e, quando necessário, exames hormonais, permite definir conduta precisa e prevenir complicações a longo prazo.