Mulheres com ectropião cervical grau III podem receber a vacina nonavalente contra o HPV?
A presença de "erosão cervical grau III" — um termo obsoleto e clinicamente impreciso, frequentemente utilizado de forma equivocada na prática clínica — não constitui contraindicação para a vacinação
A presença de "erosão cervical grau III" — um termo obsoleto e clinicamente impreciso, frequentemente utilizado de forma equivocada na prática clínica — não constitui contraindicação para a vacinação com a vacina nonavalente contra o papilomavírus humano (HPV). O que historicamente foi chamado de "cervicite erosiva" ou "erosão cervical" corresponde, na maioria dos casos, à ectropião cervical fisiológico: uma condição benigna, comum em mulheres em idade reprodutiva, caracterizada pela migração da zona de transição para a porção vaginal do colo uterino, expondo o epitélio cilíndrico mais delicado. Essa alteração é assintomática, não representa lesão pré-cancerosa nem infecção ativa, e não interfere na segurança ou eficácia da vacina.
A vacina nonavalente contra o HPV (que protege contra nove tipos virais, incluindo os de alto risco 16, 18, 31, 33, 45, 52 e 58, além dos de baixo risco 6 e 11) é indicada para mulheres e homens entre 9 e 45 anos, independentemente do estado cervical observado ao exame ginecológico. A decisão de vacinar deve basear-se na idade, histórico de exposição ao HPV, condições imunológicas e recomendações vigentes do Programa Nacional de Imunizações (PNI) e da Sociedade Brasileira de Infectologia (SBI), e não na presença de ectropião ou alterações colposcópicas benignas.
É fundamental ressaltar que o diagnóstico de lesões cervicais verdadeiramente significativas — como neoplasia intraepitelial cervical (NIC) grau II ou III, ou carcinoma invasor — exige avaliação especializada e seguimento adequado, mas mesmo nesses cenários, a vacinação pode ser considerada após avaliação individualizada, pois não interfere no tratamento oncológico nem agrava a condição. Em qualquer caso, a indicação final deve ser feita por médico ginecologista ou infectologista, com base em anamnese completa, exame físico e, quando necessário, resultados de citopatológico (Papanicolau), testes moleculares para HPV e colposcopia.