Hérnia de idoso de 85 anos continua a aumentar de tamanho
Um paciente octogenário, com 85 anos de idade, apresentou progressão acentuada de uma hérnia inguinal direita ao longo dos últimos meses. O aumento contínuo do volume da saliência abdominal foi acompa
Um paciente octogenário, com 85 anos de idade, apresentou progressão acentuada de uma hérnia inguinal direita ao longo dos últimos meses. O aumento contínuo do volume da saliência abdominal foi acompanhado por desconforto crescente, sensação de peso na região inguinal e dificuldade para realizar atividades cotidianas, como caminhar ou subir escadas.
A avaliação clínica revelou uma hérnia inguinal indireta, reduzível inicialmente, mas com tendência à irredução parcial nos últimos dias. Exames de imagem — particularmente ultrassonografia com Doppler e, em alguns casos, tomografia computadorizada — confirmaram o aumento significativo do orifício herniário, com protrusão de alça intestinal e grande quantidade de tecido adiposo pré-peritoneal. Não havia evidência de estrangulamento agudo, mas o risco cirúrgico aumentava proporcionalmente ao tamanho da hérnia e à idade avançada do paciente.
Diante desse quadro, a equipe de cirurgia geral recomendou intervenção eletiva, considerando que a evolução natural poderia levar à obstrução intestinal ou à isquemia do conteúdo herniado. A abordagem escolhida foi a reparação laparoscópica com malha sintética de polipropileno de baixo peso, técnica associada a menor taxa de recidiva e melhor tolerabilidade em idosos estáveis. A avaliação pré-operatória incluiu otimização cardiorrespiratória, revisão medicamentosa e avaliação geriátrica multidimensional para minimizar complicações perioperatórias.
É fundamental reforçar que, embora a hérnia inguinal seja comum em idosos, sua progressão não deve ser negligenciada: mesmo na ausência de dor intensa ou sinais de urgência, o aumento progressivo do defeito abdominal representa um fator preditivo independente de complicações graves. O manejo individualizado, com decisão compartilhada entre médico, paciente e cuidadores, é essencial para garantir segurança e qualidade de vida nessa faixa etária.