Recentemente, observou-se um aumento significativo no número de atendimentos em emergências e consultórios médicos em várias regiões do país. A maioria dos pacientes são crianças, e além da infecção por Mycoplasma pneumoniae, outras doenças que causam sintomas respiratórios também estão em ascensão.
O diretor do Centro Nacional de Pesquisa Clínica em Doenças Infecciosas e presidente do Terceiro Hospital Popular de Shenzhen, Dr. Lu Hongzhou, informou que, após o feriado nacional, os resultados de testes de ácidos nucleicos para patógenos respiratórios em seu hospital mostraram que a taxa mais alta de positividade foi para Mycoplasma pneumoniae (34,33%), seguida pelo vírus influenza A (12,17%) e B (5,79%), adenovírus respiratório (2,76%) e vírus sincicial respiratório (2,03%). Ele alerta que o adenovírus e o Streptococcus pneumoniae podem causar infecções mistas com o Mycoplasma pneumoniae, e a probabilidade de infecções mistas aumenta à medida que a idade das crianças diminui. Se houver uma infecção mista com Mycoplasma pneumoniae, os sintomas podem se agravar, e os pais devem estar atentos.
Além do Mycoplasma pneumoniae e do SARS-CoV-2, quais outras doenças infecciosas devemos estar atentos recentemente? E como podemos preveni-las?
1. Vírus Influenza
Há certa semelhança entre as infecções por Mycoplasma pneumoniae e os vírus influenza A e B, o que pode levar a confusão. Os vírus influenza são causados por vírus, enquanto o Mycoplasma pneumoniae não é nem bactéria nem vírus, mas sim um tipo de microrganismo. O tratamento para ambos é completamente diferente, e é importante saber distinguir entre eles.
De acordo com o Dr. Jiang Chunming, chefe do Departamento Pediátrico do Primeiro Hospital Popular de Hangzhou, os sintomas de ambas as infecções apresentam algumas diferenças. Os principais sintomas do vírus influenza incluem febre alta, dor de garganta, congestão nasal, coriza, além de dores musculares generalizadas e cefaleia. Por outro lado, a infecção por Mycoplasma pneumoniae é mais sutil; nem sempre causa febre, e algumas crianças podem apresentar apenas febre baixa ou nenhuma febre, com exames de sangue e PCR (Proteína C-Reativa) normalmente dentro dos padrões normais, o que pode levar a diagnósticos perdidos. No entanto, a tosse na infecção por Mycoplasma pneumoniae tende a ser mais intensa, podendo até causar dispneia.
Como Prevenir
A vacina contra a gripe é a medida mais econômica e eficaz para prevenir a influenza, reduzindo significativamente o risco de contrair a doença e desenvolver complicações graves.
2. Vírus Sincicial Respiratório (VSR)
O VSR é o principal agente viral responsável por infecções agudas do trato respiratório inferior em crianças menores de 5 anos em todo o mundo. Este é um vírus RNA, cujas cepas predominantes variam anualmente, facilitando reinfecções. É altamente contagioso, transmitido principalmente através de tosse, gotículas respiratórias e contato próximo (como acariciar ou beijar um indivíduo infectado), podendo sobreviver por horas em superfícies contaminadas, como mesas e brinquedos.
A maioria das crianças saudáveis que contraem o VSR apresenta sintomas leves, semelhantes aos de um resfriado comum, como congestão nasal, tosse, espirros, coriza e febre baixa. À medida que a doença progride, casos mais graves podem apresentar dificuldade respiratória, dispneia, irritabilidade, perda de apetite, e até mesmo insuficiência respiratória e cardíaca.
Como Prevenir
Todas as faixas etárias são suscetíveis ao VSR, e não há vacina disponível para sua prevenção. O vírus tem uma circulação sazonal, sendo mais comum no norte do país entre novembro e abril, com pico nos meses de janeiro e fevereiro. O período de incubação geralmente varia de 2 a 8 dias, com sintomas aparecendo 4 a 6 dias após a infecção. O VSR é autolimitado, e para crianças com sistema imunológico normal, cuidados domiciliares adequados são suficientes para casos leves.
3. Infecção por Rinovírus
Os rinovírus são os vírus humanos com o maior número de sorotipos, com mais de 120 já identificados. São os principais agentes causadores do resfriado comum, responsáveis por cerca de metade das infecções agudas do trato respiratório.
As infecções por rinovírus são comuns em todas as idades, com maior incidência em crianças. O período de incubação varia de 12 horas a 5 dias, com média de 48 horas. A transmissão ocorre por contato direto, gotículas respiratórias e indiretamente através de mãos e objetos contaminados com secreções nasais e faríngeas.
Os rinovírus habitam principalmente o trato respiratório superior, causando resfriados comuns em adultos. Em lactentes e pacientes com doenças respiratórias crônicas, além de resfriados, podem causar bronquite e pneumonia. Os sintomas clínicos incluem coriza, espirros, desconforto faríngeo, congestão nasal, tosse, dor de garganta, rouquidão, e temperatura corporal normal ou ligeiramente elevada. Complicações comuns incluem sinusite e otite média. Podem ocorrer infecções mistas com outros vírus, como enterovírus e Mycoplasma pneumoniae.
Como Prevenir
As infecções por rinovírus são processos autolimitados, não necessitando de tratamento específico. Recomenda-se repouso, alimentação adequada, ventilação do ambiente, higiene das mãos e prevenção de infecções cruzadas. A recuperação geralmente ocorre em cerca de uma semana. Após a infecção, os anticorpos produzidos localmente no muco nasal conferem imunidade temporária contra o mesmo sorotipo, mas essa proteção é de curta duração, permitindo reinfecções no mesmo ano. Até o momento, não há vacinas eficazes disponíveis para prevenir a infecção por rinovírus.
4. Infecção por Adenovírus
As infecções por adenovírus são mais comuns durante o inverno e a primavera, frequentemente causando surtos em creches e escolas. Geralmente, os adenovírus são transmitidos por gotículas respiratórias, secreções oculares, via respiratória ou contato, e as infecções intestinais são transmitidas pela via digestiva.
Os sintomas típicos de infecção respiratória por adenovírus incluem tosse, congestão nasal e faringite, acompanhados de febre, calafrios, cefaleia e dores musculares. Clinicamente, podem ocorrer faringite, conjuntivite faríngea, e pneumonia. Alguns tipos de adenovírus também podem causar gastroenterite em lactentes e pré-escolares, levando a dor abdominal, diarreia, e até invaginações intestinais.
Como Prevenir
Segundo o Dr. Li Tongzeng, médico adjunto do Departamento de Doenças Infecciosas do Hospital Youan de Pequim, as infecções por adenovírus geralmente são autolimitadas, com a recuperação ocorrendo em cerca de 7 dias em indivíduos com imunidade normal, sem necessidade de tratamento medicamentoso. Recomenda-se descanso e ingestão adequada de líquidos. No entanto, em pacientes com imunidade baixa ou com sintomas graves, deve-se seguir as orientações médicas e utilizar medicamentos antivirais.
Após a infecção, os indivíduos desenvolvem anticorpos neutralizantes protetores específicos para o sorotipo, conferindo imunidade duradoura contra esse sorotipo.
5. Streptococcus pneumoniae
O Streptococcus pneumoniae é uma bactéria capaz de colonizar o trato respiratório superior por longos períodos sem causar sintomas clínicos. É o principal agente causador de doenças invasivas (meningite, bacteremia/septicemia, pneumonia com bacteremia) e não invasivas (pneumonia, otite média e sinusite). Mais de 50% das pneumonias comuns são causadas por este patógeno.
Lactentes, idosos (especialmente aqueles com 65 anos ou mais), pacientes com hepatite crônica, cardiopatias crônicas, diabetes e indivíduos com imunidade comprometida são grupos de risco para infecções por Streptococcus pneumoniae.
Como Prevenir
A vacinação contra o Streptococcus pneumoniae é o método mais econômico e eficaz para prevenir as doenças causadas por esta bactéria. Atualmente, existem duas vacinas disponíveis: a vacina pneumocócica 23-valente (cobrindo 23 sorotipos) e a 13-valente (cobrindo 13 sorotipos). A vacina 23-valente é indicada para pessoas com 2 anos ou mais, com alto risco de infecção, e requer uma dose única. A vacina 13-valente é destinada a crianças de 6 semanas a 5 anos de idade, prevenindo doenças causadas por 13 sorotipos de Streptococcus pneumoniae, especialmente as formas invasivas. Ambas as vacinas são consideradas não obrigatórias em grande parte das regiões do país.
Nas estações de outono e inverno, as crianças estão mais suscetíveis a infecções por diversos vírus e bactérias, que podem causar uma variedade de sintomas, como febre, tosse e coriza. Embora alguns sintomas possam parecer semelhantes, as causas e tratamentos podem ser muito diferentes. Muitos pais costumam diagnosticar e tratar os sintomas de seus filhos em casa, o que pode levar a diagnósticos errôneos e tratamentos inadequados, potencialmente agravando a condição, especialmente em casos de infecções mistas. Portanto, é fundamental que os pais busquem atendimento médico para seus filhos e sigam as orientações dos profissionais. Os médicos podem fornecer o tratamento mais adequado e monitorar de perto a evolução da doença.