O branco dos olhos está vermelho, mas não dói nem coça. O que pode ser isso?
Um dos motivos mais comuns para o aparecimento de vermelhidão na esclera (a parte branca do olho), sem dor, coceira ou secreção, é a dilatação simples dos vasos sanguíneos superficiais — condição conhecida como hiperemia conjuntival leve ou “olho vermelho benigno”. Isso pode ocorrer após esforço físico intenso (como levantar peso ou tossir vigorosamente), exposição prolongada a ar seco ou poluído, fadiga visual (excesso de tempo em telas), uso ocasional de descongestionantes oftálmicos (como nafazolina ou tetrazolina) ou mesmo após uma leve traumatização mecânica, como esfregar os olhos com força.
Nesses casos, a vermelhidão geralmente é unilateral ou bilateral, difusa e não associada a alterações na acuidade visual, fotofobia intensa, secreção purulenta ou sensação de corpo estranho. A ausência de sintomas sistêmicos — como febre, dor de cabeça ou artralgias — também favorece um quadro autolimitado e não infeccioso. É importante ressaltar que, embora muitas vezes inócuo, o olho vermelho deve ser avaliado por oftalmologista sempre que persistir por mais de 72 horas, recorrer com frequência, acompanhar perda visual, visão turva, halos ao redor das luzes ou dor ocular significativa — sinais que podem indicar condições mais graves, como uveíte anterior, glaucoma agudo ou esclerite.
Recomenda-se evitar o uso indiscriminado de colírios vasoconstritores sem orientação médica, pois seu uso prolongado pode levar à síndrome de rebote (hiperemia paradoxal) e mascarar doenças subjacentes. Medidas conservadoras, como repouso visual, umidificação ambiental e compressas frias suaves, são frequentemente suficientes para resolução espontânea em 24 a 48 horas. Caso haja dúvida diagnóstica ou fatores de risco associados (como diabetes, hipertensão arterial ou uso crônico de anticoagulantes), a avaliação oftalmológica torna-se imprescindível para exclusão de hemorragia subconjuntival, hipertensão ocular ou outras patologias vasculares.