Por que a barriga fica grande mesmo quando a pessoa não está acima do peso e como reduzi-la?
É bastante comum observar pacientes que, apesar de apresentarem um índice de massa corporal (IMC) dentro da faixa considerada normal ou até mesmo abaixo do esperado, têm uma circunferência abdominal aumentada — o chamado “abdômen protuberante” ou “barriga saliente”. Esse quadro não está necessariamente relacionado à obesidade, mas pode refletir acúmulo de gordura visceral, distensão gastrointestinal, alterações posturais, fraqueza da musculatura abdominal, disbiose intestinal, retenção hídrica ou condições clínicas específicas, como síndrome das ovárias policísticos (SOP), hipotireoidismo leve não diagnosticado ou esteatose hepática.
O primeiro passo é uma avaliação médica criteriosa: medição da circunferência abdominal (valor ≥ 80 cm em mulheres e ≥ 94 cm em homens indica risco metabólico aumentado), exame físico detalhado, análise de hábitos alimentares e de sono, além de exames laboratoriais básicos (glicemia de jejum, perfil lipídico, TSH, transaminases) e, se indicado, ultrassonografia abdominal para avaliar gordura visceral e fígado. É fundamental descartar causas secundárias antes de iniciar qualquer intervenção.
A redução sustentável dessa adiposidade abdominal depende de uma abordagem integrada: dieta equilibrada, rica em fibras solúveis (como aveia, leguminosas e frutas com casca), proteína de alta qualidade e baixa em açúcares refinados e gorduras trans; prática regular de atividade física combinando exercícios aeróbicos moderados (como caminhada rápida ou ciclismo por 150 minutos/semana) com treinamento de força — especialmente para o core — duas a três vezes por semana. Importante ressaltar que não existe “emagrecimento localizado”: a perda de gordura visceral ocorre de forma sistêmica, mas costuma ser uma das primeiras áreas a responder ao déficit calórico saudável e à melhora da sensibilidade à insulina.
Fatores frequentemente subestimados incluem o estresse crônico (que eleva o cortisol e favorece o depósito abdominal), o sono inadequado (< 7 horas por noite) e a constipação intestinal persistente. A correção desses aspectos, muitas vezes com apoio de nutricionista, psicólogo ou fisioterapeuta especializado em reeducação postural, pode trazer melhoras significativas. Em casos selecionados — como quando há evidência clara de disbiose ou síndrome do intestino irritável — a suplementação com probióticos específicos pode ser considerada sob orientação médica.
Lembre-se: uma barriga proeminente em pessoa magra não deve ser ignorada nem tratada com dietas restritivas extremas ou suplementos não comprovados. O foco deve ser na saúde metabólica global, na função intestinal e na qualidade de vida — e não apenas na aparência. Consulte um médico clínico geral ou endocrinologista para um diagnóstico personalizado e um plano terapêutico seguro e eficaz.