O que fazer quando um jovem apresenta retração gengival?
Em jovens adultos, a retração gengival — ou seja, o recuo da margem gengival em direção à raiz do dente — é um achado clínico que merece atenção especial, pois não é considerada fisiológica nessa faixa etária. Ao contrário do que ocorre em idosos, onde pode estar associada ao envelhecimento e ao desgaste crônico, na população jovem geralmente indica uma causa subjacente passível de intervenção.
As causas mais comuns incluem escovação dental excessivamente agressiva (com técnica incorreta ou uso de escova com cerdas duras), má oclusão dentária, hábitos parafuncionais como bruxismo ou apertamento dentário, doenças periodontais incipientes (como gengivite crônica ou periodontite agressiva), presença de restaurações mal adaptadas ou próteses inadequadas, e fatores genéticos — especialmente em casos de biótipo gengival fino, que confere menor resistência mecânica aos estímulos externos.
O diagnóstico deve ser feito por um cirurgião-dentista ou periodontista, com avaliação clínica detalhada: medição de profundidade de sondagem periodontal, avaliação do biótipo gengival (espessura e conformação), análise da técnica de higiene oral, exame oclusal e, se necessário, exames complementares como radiografias periapicais para avaliar perda óssea associada.
O tratamento depende da causa identificada. Em casos leves, com retração estável e sem inflamação ativa, prioriza-se a educação em saúde bucal: orientação sobre técnica de escovação suave (método de Bass), uso de fio dental ou fita interdental adequados, e acompanhamento periódico. Quando há doença periodontal ativa, é essencial o tratamento periodontal não cirúrgico (profilaxia, raspagem e alisamento radicular) seguido de manutenção. Em situações com impacto funcional, estético ou sensibilidade dentinária significativa, podem ser indicados procedimentos cirúrgicos reconstrutores, como enxertos gengivais (ex.: enxerto conjuntivo subepitelial), desde que a causa subjacente tenha sido controlada.
É fundamental ressaltar que a retração gengival, uma vez instalada, não se reverte espontaneamente. Por isso, a detecção precoce e a abordagem etiológica são decisivas para evitar progressão, preservar o tecido periodontal remanescente e garantir a saúde e função a longo prazo dos dentes.