Riscos associados ao clareamento dental com luz fria
A clareamento dental com luz fria, também conhecido como clareamento a laser ou fotoclareamento, é um procedimento estético cada vez mais procurado por pacientes que desejam obter dentes mais brancos
A clareamento dental com luz fria, também conhecido como clareamento a laser ou fotoclareamento, é um procedimento estético cada vez mais procurado por pacientes que desejam obter dentes mais brancos em um curto espaço de tempo. No entanto, apesar de sua popularidade e eficácia comprovada em muitos casos, esse método não está isento de riscos potenciais para a saúde bucal.
Um dos efeitos adversos mais frequentemente relatados é a hipersensibilidade dentinária temporária. Durante o procedimento, o agente clareador — geralmente peróxido de hidrogênio ou peróxido de carbamida — penetra no esmalte e na dentina, podendo ativar os túbulos dentinários e causar desconforto ao contato com estímulos térmicos, químicos ou mecânicos. Em alguns pacientes, essa sensibilidade pode persistir por vários dias após a sessão.
Há ainda riscos associados à aplicação inadequada do gel clareador ou à exposição excessiva à fonte de luz (como diodos ou lasers). Isso pode levar a lesões na mucosa oral, como queimaduras químicas ou térmicas nas gengivas, lábios ou língua — especialmente se houver falhas na proteção dos tecidos moles durante o tratamento. A má vedação da barreira gengival aumenta significativamente essa possibilidade.
Além disso, o uso repetido ou não supervisionado do clareamento com luz fria pode comprometer a integridade estrutural do esmalte, reduzindo sua microdureza e aumentando a suscetibilidade à desmineralização e à cárie. Estudos in vitro demonstraram alterações na topografia da superfície esmaltada após múltiplas aplicações, embora os efeitos clínicos a longo prazo ainda exijam maior evidência científica.
É fundamental ressaltar que o clareamento com luz fria não é indicado para todos os pacientes. Contraindicações incluem: presença ativa de cáries ou restaurações deficientes, doenças periodontais não controladas, hipoplasia do esmalte, dentes com restaurações extensas em resina composta ou cerâmica (que não clareiam), gravidez e lactação, além de pacientes com idade inferior a 16 anos — devido à imaturidade da polpa dentária.
Para minimizar riscos, o procedimento deve ser sempre realizado sob supervisão de um cirurgião-dentista qualificado, com avaliação prévia completa, diagnóstico diferencial das causas da pigmentação dental e planejamento individualizado. Alternativas seguras, como clareamentos domiciliares supervisionados com concentrações menores de peróxido, podem ser mais adequadas para determinados perfis clínicos.