O que fazer quando um bebê tem herpes na garganta?
Quando um bebê apresenta herpes na garganta — geralmente causado pelo vírus herpes simples tipo 1 (HSV-1), embora o tipo 2 também possa estar envolvido — trata-se de uma condição potencialmente grave que exige avaliação médica imediata. Ao contrário de infecções leves, como faringite viral comum, o herpes oral em lactentes pode evoluir rapidamente para complicações sérias, incluindo disseminação sistêmica, meningite, encefalite ou sepse, especialmente em bebês com menos de 6 semanas de vida ou com imunocomprometimento.
O diagnóstico é feito clinicamente com base nos sinais típicos: vesículas dolorosas, úlceras avermelhadas ou crostas em mucosa orofaríngea (garganta, língua, gengivas, palato), muitas vezes associadas a febre, recusa alimentar, irritabilidade, salivação excessiva e linfadenopatia cervical. Exames complementares, como PCR salivar ou swab da lesão, podem confirmar a presença do HSV. Em casos suspeitos de envolvimento sistêmico, pode ser necessário punção lombar para análise do líquido cefalorraquidiano.
O tratamento é sempre instituído sob orientação médica e baseia-se no uso de antivirais sistêmicos. O aciclovir endovenoso é o padrão-ouro, especialmente em lactentes com menos de 4 semanas ou com sinais de gravidade (como febre alta, letargia, alterações do tônus ou convulsões). A duração típica é de 14 a 21 dias, podendo ser estendida conforme a resposta clínica. Em casos leves e em bebês maiores (>4 semanas), com comprometimento localizado e sem sinais sistêmicos, pode ser considerada a via oral, mas isso deve ser rigorosamente avaliado por um pediatra infectologista ou neonatologista.
Não se recomenda o uso de remédios caseiros, pomadas tópicas ou analgésicos não prescritos. A hidratação adequada deve ser priorizada — com aleitamento materno frequente ou fórmula adaptada — e, se houver dificuldade significativa para sugar ou engolir, pode ser necessário suporte nutricional alternativo (ex.: sondagem nasogástrica) sob supervisão hospitalar. É fundamental evitar o contato próximo com pessoas com lesões herpéticas ativas e manter rigorosa higiene das mãos para prevenir transmissão.
Qualquer suspeita de herpes oral em lactentes deve ser encaminhada urgentemente ao serviço de emergência pediátrica. A janela terapêutica é estreita, e o início precoce do tratamento antiviral reduz significativamente a morbimortalidade associada à infecção pelo HSV nessa faixa etária vulnerável.